A crise interna no PSDB de Campo Grande ganhou um novo capítulo com a decisão do presidente estadual da sigla, deputado federal Beto Pereira, de excluir vereadores da presidência municipal do partido. A medida atinge diretamente a bancada tucana na Câmara da Capital, que vinha articulando maior protagonismo na condução da legenda em ano pré-eleitoral, e aprofunda o racha entre grupos que disputam espaço e influência dentro da estrutura partidária. Ao optar por uma composição da direção municipal sem a presença de vereadores, Beto sinaliza um movimento de concentração de poder nas mãos de lideranças federais e estaduais, em detrimento de quem atua na base do sistema político, mais exposto ao voto direto do eleitor.
A decisão de Beto e o afastamento dos vereadores
Segundo apuração publicada nesta quinta-feira, Beto Pereira definiu uma nova configuração para o comando do diretório municipal do PSDB em Campo Grande, deixando de fora nomes que representam a sigla no Legislativo da Capital. A escolha ocorre em um contexto de desgaste acumulado: desde 2025, já havia insatisfação de deputados estaduais com a forma como a cúpula nacional, sob Aécio Neves, reorganizou o partido em Mato Grosso do Sul, priorizando deputados federais nos postos de comando e reduzindo o espaço de outras lideranças regionais.
Bastidores e recados internos
A exclusão dos vereadores da presidência municipal é lida nos bastidores como um recado duro à ala que defendia maior autonomia da legenda em Campo Grande, inclusive na formação de chapas para 2026. A lógica adotada pela direção estadual, de acordo com analistas políticos, é fortalecer um núcleo mais restrito e alinhado à estratégia de Beto Pereira, que ainda enfrenta desconfiança interna quanto à sua permanência no partido após a janela partidária. Na prática, a decisão amplia o sentimento de que a executiva tucana continua funcionando de cima para baixo, sem incorporar de forma efetiva quem está na linha de frente do debate com o eleitor.
PSDB em desgaste e risco de esvaziamento
A movimentação atual não é um fato isolado, mas parte de um quadro mais amplo de desgaste do PSDB em Mato Grosso do Sul. Em 2025, a escolha de Beto Pereira e Geraldo Resende para a presidência e vice-presidência estadual, em detrimento de nomes como o deputado Pedro Caravina, já havia provocado forte reação da bancada estadual, com ameaças explícitas de debandada para outras legendas. Pelo menos quatro dos seis deputados estaduais tucanos passaram a negociar saídas para PL e PP, enquanto apenas dois sinalizaram permanência no partido, ainda assim com críticas públicas à condução do diretório.
Impacto na base e nas eleições de 2026
Ao tensionar a relação com vereadores da Capital, o PSDB corre o risco de repetir, em nível municipal, o mesmo processo de esvaziamento que enfrenta na Assembleia Legislativa. Em Campo Grande, parte da bancada tucana já discute alternativas para 2026, inclusive em outras siglas, diante da percepção de que o comando partidário atual não oferece segurança política nem estrutura adequada para a disputa eleitoral. A retirada dos vereadores da presidência municipal enfraquece a conexão orgânica entre direção e base, reduzindo a capacidade de o partido construir uma chapa competitiva de candidatos proporcionais e de dialogar com o eleitorado urbano.
Consequências para o cenário político da Capital
No tabuleiro político de Campo Grande, a decisão de Beto Pereira pode abrir espaço para reorganizações mais amplas. Rivais do PSDB observam com atenção a possibilidade de migração de quadros tucanos para outras legendas, especialmente partidos que se estruturam para disputar cadeiras na Câmara Municipal e posições estratégicas nas eleições gerais. Em paralelo, o movimento reforça a percepção de que o PSDB, que já foi força dominante no estado, vive um período de transição delicado, entre a tentativa de se reconstruir nacionalmente e a perda de protagonismo em redutos onde antes era hegemônico.
Para a população, o impacto imediato pode não ser visível, mas, no médio prazo, a fragmentação partidária tende a influenciar a composição da Câmara e o grau de governabilidade da próxima administração municipal. Um partido dividido e com lideranças em rota de colisão interna dificilmente consegue apresentar um projeto coeso de cidade.
Perguntas frequentes
Por que os vereadores foram excluídos da presidência municipal do PSDB?
A nova composição do comando municipal, definida sob influência direta de Beto Pereira, optou por não incluir vereadores na presidência, em linha com a estratégia de concentrar o poder em lideranças federais e estaduais e reduzir a influência da base legislativa da Capital.
Qual é o risco dessa decisão para o PSDB em Campo Grande?
A medida pode aprofundar o racha interno, estimular a saída de vereadores para outras siglas e enfraquecer a capacidade do partido de montar chapas competitivas para as eleições de 2026, tanto proporcionais quanto majoritárias.
Como isso se encaixa na crise mais ampla do PSDB em MS?
Desde 2025, o partido enfrenta insatisfação de deputados estaduais e risco de debandada em massa, após decisões da cúpula nacional e estadual que priorizaram deputados federais em cargos estratégicos, deixando outros grupos com pouco espaço de decisão.
Em um cenário de reacomodação de forças, acompanhar os próximos movimentos de vereadores, deputados e lideranças locais será essencial para entender que papel o PSDB ainda terá em Campo Grande e quais projetos políticos surgirão desse reposicionamento para disputar a confiança do eleitor em 2026.
Redação Portal Guavira


