quinta-feira, janeiro 29, 2026
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Corredor bioceânico: Bolívia planeja rota ferroviária e rodoviária até 2028

A Bolívia anunciou a reativação da proposta histórica defendida pelo ex-prefeito e atual senador chileno Jorge Soria Quiroga para integrar o país ao Corredor bioceânico através do Porto de Iquique. A iniciativa visa otimizar o comércio exterior boliviano, reduzindo custos logísticos e o tempo de trânsito de mercadorias em direção aos mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico. O governo boliviano, sob a coordenação do Ministério do Planejamento Estratégico, incorporou o projeto ao seu Plano Geral de Desenvolvimento Econômico e Social 2026-2030, projetando que as novas rotas estejam operacionais até 2028. Com a inclusão de conexões ferroviárias e rodoviárias, a proposta busca transformar Iquique em um centro logístico vital, interligando a infraestrutura de transporte da Bolívia às redes de exportação do Brasil, Paraguai e norte da Argentina.​

A visão estratégica de Jorge Soria

A proposta retomada pela Bolívia baseia-se na tese defendida por décadas por Jorge Soria Quiroga, que posiciona Iquique como o “centro do mundo” para a logística da América do Sul. Soria argumenta que a conexão física entre o interior do continente e os portos de águas profundas do norte chileno é a forma mais eficiente de escoar a produção sul-americana para o gigante mercado chinês e japonês. O projeto contempla a melhoria da infraestrutura de acesso ao porto e a criação de plataformas logísticas que facilitem o intercâmbio comercial, turístico e cultural entre as nações envolvidas, gerando empregos de qualidade nas regiões de Tarapacá e no altiplano boliviano.​

Conexões ferroviárias e rodoviárias planejadas

O governo da Bolívia está avaliando traçados para uma ferrovia e uma rodovia transoceânicas que cruzem o país de leste a oeste, integrando regiões produtoras de Potosí, Tarija e Oruro. Uma das rotas propostas parte do Porto de Santos, no Brasil, atravessa o Chaco paraguaio até Villamontes e segue por Potosí e Uyuni até chegar ao marco fronteiriço com o Chile em direção a Iquique. Esse traçado visa impulsionar não apenas o comércio de minerais e grãos, mas também o turismo nas regiões de salares e desidratados, conectando importantes centros aéreos como Viru Viru, em Santa Cruz, e o aeroporto internacional de El Alto.

Impacto no comércio exterior boliviano

Para a Bolívia, a concretização desta rota bioceânica via Iquique representa uma alternativa estratégica aos portos tradicionais do Atlântico e ao Canal de Panamá, que costumam ser mais lentos e onerosos para o acesso à Ásia. Estimativas apontam que o novo corredor pode reduzir em até 10 dias o tempo médio de viagem para as exportações que partem do centro do continente em direção ao Oriente. Além da agilidade, a integração ferroviária proposta pelos governadores de Oruro, Cochabamba e Beni busca mitigar os efeitos de bloqueios recorrentes em outras rotas nacionais, oferecendo uma logística mais resiliente e competitiva para os produtores locais.​

Cooperação internacional e desafios logísticos

Apesar do entusiasmo regional, a Bolívia enfrenta o desafio de negociar consensos com Brasil, Paraguai e Chile para garantir que a rota por Iquique seja reconhecida como prioridade técnica. O vice-ministro de Planejamento Estratégico, José Luis Llanos Rocha, destacou que o país precisa consolidar sua “melhor rota nacional” antes de avançar nos fóruns internacionais de integração. Ao mesmo tempo, o porto de Iquique já planeja expansões em sua infraestrutura portuária para estar à altura do aumento de carga previsto, buscando competir como um terminal eficiente e de fácil conectividade para os exportadores sul-americanos.​

Encerramento

A retomada da proposta de Jorge Soria pela Bolívia reafirma o Porto de Iquique como peça-chave para a integração sul-americana no Corredor bioceânico, projetando um cenário de maior competitividade e conectividade para o comércio exterior da região até o final da década.​

FAQ

O que é a proposta de Jorge Soria para a Bolívia?
É um projeto de integração logística que visa conectar a Bolívia e o interior da América do Sul ao Porto de Iquique, no Chile, facilitando o acesso aos mercados do Pacífico.​

Quando o corredor bioceânico boliviano deve estar pronto?
O planejamento do governo boliviano e de governadores regionais projeta que as novas rotas e conexões estejam operacionais até 2028.​

Quais as vantagens de usar o Porto de Iquique no corredor?
A principal vantagem é a redução de custos e de tempo de viagem, que pode ser até 10 dias menor em comparação às rotas que utilizam o Atlântico ou o Canal de Panamá.​

A rota bioceânica da Bolívia inclui ferrovias?
Sim, a proposta inclui a reativação da linha ferroviária nacional e a construção de novos trechos para interligar as ferrovias do Brasil e Chile através do território boliviano.

Acompanhe os avanços das negociações internacionais e os novos traçados do Corredor bioceânico para identificar oportunidades de logística e comércio exterior; a integração via Pacífico é a fronteira estratégica para o crescimento da economia sul-americana em 2026.

Redação Portal Guavira

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