A fala do delegado André Matsushita funciona como um importante alerta em tempos em que vídeos curtos, frases de efeito e “dicas jurídicas” viralizam nas redes sociais sem qualquer compromisso com a responsabilidade técnica. Na gravação, ele comenta o vídeo de um homem que, se dizendo advogado, orienta as pessoas a simplesmente não comparecerem à delegacia quando forem intimadas. Em tom didático e firme, o delegado desmonta essa narrativa, mostra o que a lei efetivamente prevê e explica, passo a passo, o caminho correto: receber a intimação, procurar um advogado de confiança, permitir que ele tenha acesso ao procedimento e, orientado por esse profissional, comparecer à autoridade. Ao valorizar a atuação técnica da advocacia e lembrar que desobedecer a ordem legal pode gerar outro crime, Matsushita não só esclarece dúvidas, como protege cidadãos de decisões impensadas que podem comprometer toda a sua defesa.
O que realmente fazer ao receber uma intimação
A principal orientação do delegado André Matsushita é clara: não se guiar por vídeos aleatórios na internet, mas sim pelo caminho institucional correto, que passa obrigatoriamente pela assistência de um advogado. Na fala, ele destaca que, ao receber uma intimação – seja de delegado, promotor ou juiz –, o primeiro passo responsável não é ignorar o chamado, mas buscar um profissional habilitado para compreender o que está em jogo naquele procedimento.
O papel do advogado antes da audiência
Matsushita lembra que o advogado tem prerrogativa legal de acessar os autos e saber, com precisão, por que a pessoa foi intimada e em que condição será ouvida: se como investigado, testemunha ou vítima. A partir do exame do procedimento, esse profissional volta ao cliente, explica o contexto, orienta sobre como se portar, quais direitos podem ou devem ser exercidos (inclusive o silêncio, quando juridicamente cabível) e, no dia marcado, acompanha seu constituinte na delegacia ou no fórum. Trata-se de uma cadeia de proteção: o cidadão não vai “às cegas” e a autoridade também cumpre a lei, tudo dentro das regras do processo penal.
As consequências de seguir “conselhos” equivocados
Ao rebater o vídeo que manda “não comparecer” à delegacia, o delegado deixa evidente que a desobediência a uma ordem legal não é uma atitude sem custo. Muito pelo contrário: além de piorar o quadro já existente, cria um novo problema criminal que antes nem sequer existia.
Quando a ausência vira desobediência e prejudica a defesa
Na explicação de Matsushita, se a pessoa intimada deixa de comparecer sem justificativa, o procedimento registra uma certidão formalizando a sua ausência. Esse documento passa a acompanhar o caso, servindo como um indício de que ela não quer colaborar com a Justiça, o que pesa negativamente tanto na investigação quanto, futuramente, em um eventual processo. Além disso, a autoridade policial pode instaurar um novo procedimento para apurar o crime de desobediência, já que houve descumprimento injustificado de uma ordem legal. Ou seja: o cidadão que já tinha um problema passa a ter dois, tudo porque seguiu uma “orientação” genérica, sem análise do caso concreto, sem advogado e sem segurança jurídica.
Encerramento
Ao combinar sua experiência como delegado de polícia com a formação de professor de processo penal, André Matsushita cumpre um papel pedagógico essencial: mostrar que, em matéria de investigação e intimação, o caminho responsável passa pela advocacia, pelo comparecimento e pelo respeito ao rito legal, jamais por bravatas de internet que só aumentam o risco e enfraquecem a própria defesa de quem precisa de proteção jurídica.
Perguntas frequentes
Sou obrigado a comparecer se receber uma intimação?
Sim. A intimação é um ato formal da autoridade. Se você não pode comparecer na data marcada, deve justificar formalmente, preferencialmente por meio de advogado, apresentando motivo legítimo (doença, viagem inevitável, etc.). Ignorar pura e simplesmente abre espaço para o registro de desobediência.
Não é melhor “nunca falar nada na delegacia”?
Não existe resposta automática que sirva para todos. Em alguns casos, o silêncio é uma estratégia legítima; em outros, esclarecer os fatos é fundamental. Quem define isso é o advogado, depois de analisar o procedimento, nunca um vídeo genérico na internet.
O que pode acontecer se eu seguir conselhos on-line e não for?
Seu nome constará como ausente no procedimento, sugerindo falta de colaboração, e ainda pode ser instaurado inquérito pelo crime de desobediência. Você passa a responder por mais um fato, que poderia ter sido evitado com uma simples consulta a um profissional.
Procure sempre um advogado de confiança ao receber qualquer intimação e desconfie de receitas prontas nas redes sociais; compartilhar orientações responsáveis, como as apresentadas pelo delegado André Matsushita, é uma forma concreta de proteger a si mesmo e a outras pessoas de decisões que podem comprometer seriamente sua situação jurídica.
Por Andre Estoduto Redação Portal Guavira


