sábado, janeiro 31, 2026
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Kassab desenha o xadrez político de 2026 com maestria silenciosa

Enquanto o eleitorado brasileiro permanece hipnotizado pela ruidosa batalha ideológica nas redes sociais, o verdadeiro jogo de poder ocorre longe dos holofotes, nos gabinetes acarpetados de Brasília. Há um inimigo simbólico que ameaça a compreensão da realidade nacional: a ingenuidade de acreditar que a política se resume apenas ao embate entre lulismo e bolsonarismo. Essa visão binária transforma o cidadão em massa de manobra, impedindo-o de enxergar quem realmente move as peças no tabuleiro. Neste cenário, Gilberto Kassab emerge não apenas como um articulador, mas como o grande mestre do xadrez político deste início de ano, reconfigurando as forças estaduais para garantir que, independentemente do vencedor em 2026, o controle da governabilidade esteja em suas mãos.

O domínio silencioso do PSD nos estados

A recente movimentação para trazer o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para o PSD não é um fato isolado, mas a consolidação de uma estratégia de cerco. Ao somar Caiado aos governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Kassab não está apenas colecionando nomes presidenciáveis; ele está construindo a maior estrutura partidária do país. O PSD, sob sua batuta, projeta controlar a máquina pública nos estados que representam a maior fatia do PIB brasileiro, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

A consolidação de uma superpotência partidária

A jogada de mestre reside no fato de que lançar três pré-candidatos à presidência pode parecer contraditório para o observador desatento, mas é, na verdade, uma demonstração de força bruta. O objetivo primário não é necessariamente eleger um desses nomes, mas criar uma plataforma robusta o suficiente para ditar as regras do jogo. Com governadores em estados-chave, Kassab detém a chave dos palanques regionais, o tempo de televisão e a capilaridade necessária para qualquer campanha majoritária. Ele transformou o PSD em uma “superpotência” que nenhum dos polos ideológicos pode ignorar sem correr o risco de isolamento político.

A engenharia por trás da possível transição de Tarcísio

Nos bastidores, a tese que ganha força é a de que essa superestrutura está sendo preparada para um movimento ainda mais audacioso: oferecer a Tarcísio de Freitas uma saída honrosa e institucional do bolsonarismo radical. Tarcísio encontra-se hoje em uma posição delicada, pressionado entre a lealdade à família Bolsonaro e as exigências de pragmatismo do mercado financeiro e do eleitorado de centro. O “Plano A” de Kassab desenha-se como a construção de um porto seguro para o governador de São Paulo.

Uma saída institucional para a direita

Se Tarcísio aceitar migrar para o PSD, ele herdaria uma estrutura pronta, com apoio de governadores influentes e sem a necessidade de enfrentar disputas internas com Flávio Bolsonaro pelo controle do PL. Essa manobra permitiria a Tarcísio posicionar-se como uma liderança de “centro-direita democrática”, desvinculando-se do extremismo sem parecer um traidor, mas sim um estadista que busca a unificação do país. Seria uma operação cirúrgica, sem sangue, baseada na técnica política e na oferta de governabilidade, isolando a ala mais radical da direita e consolidando uma nova via de poder.

A versatilidade pragmática e os planos alternativos

Contudo, a genialidade de Kassab reside em nunca depender de um único cenário. Caso a cooptação de Tarcísio não se concretize, o “Plano B” revela a verdadeira natureza não ideológica e puramente ambiciosa do presidente do PSD: a possibilidade de compor a chapa de Lula como vice-presidente. Para o atual governo, Kassab entregaria o que Geraldo Alckmin prometeu mas teve dificuldades em cumprir integralmente: a pacificação real com o Centrão e o trânsito livre com os governadores de oposição.

O fiel da balança ou o vice ideal

Seja como artífice de uma nova direita com Tarcísio, seja como o garantidor da estabilidade de um novo mandato de Lula, ou ainda lançando Ratinho Jr. para negociar apoio no segundo turno (o “Plano C”), Gilberto Kassab posicionou-se de forma a ser indispensável. Ele compreendeu antes de todos que, em 2026, o poder não emanará apenas das urnas, mas da capacidade de costurar acordos que sustentem o vencedor. Enquanto muitos discutem o passado, Kassab já loteou o futuro, garantindo que a “casa” — neste caso, o PSD — sempre vença.

Conclusão

A conjuntura política atual exige um olhar desprovido de paixões para compreender a magnitude das articulações de Gilberto Kassab. Ao construir um “partido anti-Bolsonaro” por dentro, cooptando lideranças conservadoras e de centro, ele implodiu a lógica binária e estabeleceu o PSD como o fiel da balança da República. 2026 não será decidido apenas pelo carisma dos candidatos, mas pela estrutura que os sustenta. Neste tabuleiro, enquanto os peões gritam palavras de ordem, o enxadrista silencioso já preparou o xeque-mate, assegurando que, independentemente do resultado eleitoral, o verdadeiro poder continuará passando por sua mesa.

Perguntas frequentes

Por que Kassab lançou três pré-candidatos à presidência pelo mesmo partido?
A estratégia visa demonstrar força política, ocupar espaço na mídia e criar múltiplas opções de negociação. Ter nomes como Caiado, Ratinho Jr. e Leite valoriza o passe do PSD em qualquer mesa de negociação futura.

Qual é o interesse de Kassab em Tarcísio de Freitas?
Kassab enxerga em Tarcísio o potencial eleitoral para vencer a presidência com um perfil de centro-direita. Traze-lo para o PSD significaria ter o presidente da República sob sua legenda, garantindo controle total sobre ministérios e estatais.

Existe chance real de Kassab ser vice de Lula?
Sim. No cenário político pragmático, Kassab oferece ao PT uma governabilidade e uma ponte com o setor produtivo e governadores de oposição que são vitais para a estabilidade de um eventual novo mandato petista.

Para entender os movimentos que realmente definem o futuro do seu país e não ser pego de surpresa pelas manchetes de amanhã, acompanhe as análises aprofundadas sobre os bastidores do poder em Brasília.

Redação Portal Guavira

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