sexta-feira, março 20, 2026
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MS tem 1,9 milhão de hectares de florestas e mira novas culturas

Ribas do Rio Pardo consolidou nos últimos anos sua posição como um dos principais polos de desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul. Com mais de 460 mil hectares de florestas plantadas, o município lidera a expansão da silvicultura no Brasil e abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo. Mas o que chama atenção agora é o movimento além da celulose: a região começa a se abrir para novas culturas, com destaque para a citricultura e o amendoim, aproveitando a infraestrutura e as tecnologias que o setor florestal ajudou a construir no território.

O crescimento que colocou MS no centro do mapa florestal

A transformação produtiva de Mato Grosso do Sul nas últimas décadas é um dos fenômenos mais expressivos do agronegócio brasileiro. Áreas que antes eram ocupadas por pastagens de baixa produtividade foram sendo convertidas em lavouras, florestas plantadas e cana-de-açúcar, num modelo que conseguiu crescer sem abrir mão da conservação ambiental. Hoje, cerca de 38% do território estadual ainda mantém vegetação nativa.

No setor florestal, os números ilustram bem essa virada. A área de florestas plantadas em Mato Grosso do Sul saiu de 341 mil hectares em 2010 para aproximadamente 1,9 milhão de hectares na safra 2024/2025, um crescimento de 565% em pouco mais de uma década. O estado ocupa atualmente a segunda posição nacional em área de eucalipto e concentrou cerca de 80% de toda a expansão florestal registrada no Brasil em 2024.

O papel de Ribas do Rio Pardo nesse cenário

Ribas do Rio Pardo não é apenas um município com números expressivos. É o símbolo mais visível desse ciclo de crescimento. A cidade integra o chamado Vale da Celulose, corredor produtivo que inclui Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia e Inocência, e que responde por uma fatia significativa da produção florestal e industrial do estado.

A fábrica de celulose instalada no município opera como a maior unidade em linha única do mundo, o que por si só já posicionaria Ribas no radar nacional. Mas o que torna o cenário ainda mais interessante é a transição em curso: a cidade começa a diversificar sua base produtiva sem perder a força do setor que a colocou no mapa.

A diversificação que muda o perfil do Vale da Celulose

A entrada da citricultura e do amendoim na pauta produtiva de Ribas do Rio Pardo não é coincidência. É resultado de políticas públicas estruturadas ao longo de anos, de investimento em tecnologia adaptada às condições do cerrado sul-mato-grossense e do amadurecimento de uma cadeia que hoje oferece infraestrutura logística, mão de obra qualificada e acesso a mercados.

O modelo de diversificação não abandona o que já funciona. Ele usa como base a experiência acumulada no setor florestal para abrir espaço para culturas que ampliam a geração de renda, reduzem a dependência de um único produto e fortalecem a economia local ao longo de todo o ano.

Sistemas integrados como base para o novo ciclo

Mato Grosso do Sul também avança na adoção de sistemas produtivos integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, o chamado ILPF. Esse modelo permite que diferentes atividades coexistam na mesma propriedade, aumentando a produtividade por hectare e melhorando os indicadores ambientais das fazendas.

A combinação entre florestas plantadas, pastagens e lavouras não é nova no estado, mas ganhou escala e suporte tecnológico nos últimos anos. Ferramentas como o sistema MS Agrodata modernizaram o cadastro, o monitoramento e a regulação da produção florestal, tornando a gestão mais eficiente tanto para os produtores quanto para o poder público.

O que o setor florestal representa para a economia de MS

Os números da cadeia produtiva florestal em Mato Grosso do Sul vão além das toneladas de celulose exportadas. O setor gera mais de 20 mil empregos diretos e 12 mil indiretos, distribuídos por mais de 18 municípios com operações florestais ativas. Sua participação no PIB industrial do estado chega a 17,8%, tornando-o um dos pilares da economia sul-mato-grossense.

Outro dado que merece atenção é a autossuficiência energética do setor. A produção de mais de 780 megawatts de energia limpa a partir da biomassa florestal coloca Mato Grosso do Sul numa posição estratégica no debate sobre transição energética, um tema que ganha peso crescente nas agendas econômica e ambiental do país.

Esses resultados são fruto de um conjunto de iniciativas que inclui o Plano Estadual de Desenvolvimento do Setor Florestal, o Profloresta, lançado há mais de dez anos com o objetivo de ampliar a base produtiva, diversificar a economia e consolidar a competitividade industrial da região.

O que vem pela frente

O crescimento do setor florestal em Mato Grosso do Sul não chegou ao limite. A meta de tornar o estado carbono neutro até 2030 alinha as políticas estaduais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com foco em biodiversidade, transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas.

Ao mesmo tempo, os desafios seguem presentes. Logística, qualificação profissional, inovação tecnológica e gestão de recursos hídricos são pontos que exigem atenção contínua. A abertura de novas culturas como citrus e amendoim adiciona mais uma camada de complexidade à gestão territorial, mas também multiplica as oportunidades para os municípios do Vale da Celulose.

Ribas do Rio Pardo entra em 2026 como um caso concreto do que é possível quando políticas públicas consistentes, investimento privado e condições naturais favoráveis se combinam ao longo do tempo. O desafio agora é manter o ritmo e garantir que a diversificação seja tão sólida quanto o setor que a tornou possível.

Perguntas frequentes

Quanto cresceu a área de florestas plantadas em Mato Grosso do Sul? A área saiu de 341 mil hectares em 2010 para aproximadamente 1,9 milhão de hectares na safra 2024/2025, um crescimento de 565% em pouco mais de uma década.

Quais novas culturas estão sendo introduzidas no Vale da Celulose? A região começa a diversificar sua produção com citricultura e amendoim, aproveitando a infraestrutura e a experiência acumulada pelo setor florestal nos últimos anos.

Quantos empregos o setor florestal gera em Mato Grosso do Sul? São mais de 20 mil empregos diretos e 12 mil indiretos, distribuídos por mais de 18 municípios com operações florestais ativas no estado.

O que é o Profloresta? É o Plano Estadual de Desenvolvimento do Setor Florestal de Mato Grosso do Sul, lançado há mais de dez anos com o objetivo de ampliar a base produtiva, diversificar a economia regional e fortalecer a competitividade industrial do setor.

Acompanhe as novidades do agronegócio e do desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e compartilhe esta matéria com quem acompanha o setor florestal e as oportunidades que surgem no Vale da Celulose.

Redação Portal Guavira

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