segunda-feira, março 23, 2026
HomeAGRONEGÓCIOMariana de Aragão Pereira é a primeira mulher a comandar a Embrapa...

Mariana de Aragão Pereira é a primeira mulher a comandar a Embrapa Gado de Corte em 50 anos

A Embrapa Gado de Corte, uma das principais unidades de pesquisa agropecuária do Brasil, inaugurou um novo capítulo de sua história nesta segunda-feira (23) em Campo Grande. A pesquisadora Mariana de Aragão Pereira tomou posse como chefe-geral da unidade, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo nos 50 anos de existência da instituição. Com 25 anos de carreira na Embrapa, doutorado em gestão agropecuária pela Universidade de Lincoln, na Nova Zelândia, e atuação em organismos internacionais, Mariana chega ao comando com um plano estruturado em quatro eixos: sustentabilidade, inovação, capacitação e transformação digital. A cerimônia contou com a presença da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e do governador Eduardo Riedel.

Um marco que demorou cinco décadas para acontecer

Cinquenta anos. Esse é o tempo que a Embrapa Gado de Corte levou para ter uma mulher no comando. Não por falta de competência, mas porque o caminho até posições de liderança nas ciências agrárias, como em tantos outros campos, foi sendo pavimentado aos poucos, por gerações de pesquisadoras que foram provando, ano após ano, que o lugar da mulher no agro não é só no campo operacional, mas também nas decisões estratégicas.

Mariana de Aragão Pereira chegou ao cargo após um processo de seleção rigoroso que incluiu análise curricular, apresentação de proposta de trabalho e entrevista. Não foi nomeação política nem indicação informal. Foi resultado de um processo competitivo em que ela apresentou o melhor plano para liderar a unidade num momento de grandes desafios e oportunidades para a pecuária brasileira.

A posse acontece no ano em que a Embrapa Gado de Corte completa meio século. A coincidência entre o aniversário da instituição e a chegada da primeira mulher ao comando tem um peso simbólico que os próprios pesquisadores da unidade reconhecem.

Uma carreira construída dentro da Embrapa

Mariana não chegou ao topo de fora para dentro. Ela ingressou na Embrapa em 2001 e construiu sua trajetória dentro da instituição ao longo de 25 anos. Passou pela rede de Socioeconomia da empresa na sede em Brasília e pela própria Embrapa Gado de Corte, acumulando experiência em análises econômicas, avaliação de impacto de tecnologias e gestão pecuária.

Ao longo da carreira, participou da criação de ferramentas que ajudaram pecuaristas a tomar decisões com mais base em dados, como o Controlpec, o Gerenpec e o CustoBov. Também foi pioneira no uso de metodologias como Q-methodology e Modelo Árvore de Decisão Etnográfica em estudos agropecuários no Brasil, abordagens que consideram os aspectos comportamentais e psicossociais que influenciam as decisões dos produtores rurais.

O plano de gestão que vai orientar os próximos anos

Mariana assume o comando com um plano claro. Os quatro pilares que ela apresentou no processo de seleção, e que vão orientar a gestão, são sustentabilidade, inovação, capacitação e transformação digital. Cada um desses eixos tem implicações práticas para o trabalho da Embrapa Gado de Corte e para os produtores que dependem das tecnologias geradas pela unidade.

No campo da inovação e da transformação digital, a nova chefe-geral defende o uso de ferramentas como a inteligência artificial para suportar a coleta e análise de dados em tempo real. Para ela, o Brasil já chegou ao topo como maior produtor de carne bovina do mundo, mas o grande desafio agora é se manter nessa posição com eficiência produtiva e sustentabilidade comprovada.

O que ela chama de arroz com feijão bem feito

Uma das apostas centrais da nova gestora é a capacitação técnica para levar o conhecimento da Embrapa além dos centros de pesquisa. Ela usa uma expressão simples para descrever essa prioridade: “arroz com feijão bem feito”. O que isso significa na prática é focar no manejo básico executado com excelência, garantindo que o pequeno e o médio produtor também tenham acesso às inovações de ponta para melhorar sua rentabilidade.

Esse é um ponto que diferencia a abordagem de Mariana. Em vez de apostar exclusivamente nas tecnologias mais sofisticadas, ela parte do princípio de que o conhecimento só cumpre seu papel quando chega ao pasto, de forma compreensível e aplicável por quem realmente produz. Ampliar a rede de parceiros, incluindo o Senar, universidades e o setor privado, é parte central dessa estratégia.

A dimensão internacional de uma pesquisadora de referência global

A trajetória de Mariana vai além das fronteiras do Brasil. Desde 2019, ela integra o conselho da International Farm Management Association, a IFMA, organização internacional de gestão rural. Em 2024, passou a compor o conselho científico da World Farmers Organization, tornando-se a única brasileira no grupo. No mesmo ano, assumiu função na diretoria do Enrich in Lac, iniciativa voltada à cooperação entre América Latina e Europa.

Essa presença em organismos internacionais não é detalhe biográfico. É indicador de que a nova chefe-geral da Embrapa Gado de Corte transita nos principais fóruns globais de discussão sobre gestão agropecuária, trazendo para Campo Grande conexões e perspectivas que raramente chegam ao interior das instituições de pesquisa do país.

Perguntas frequentes

Quem é Mariana de Aragão Pereira e qual é sua formação? Mariana é zootecnista formada pela Universidade Federal de Viçosa, com mestrado em Economia Aplicada pela mesma instituição e doutorado em Agricultural Management pela Universidade de Lincoln, na Nova Zelândia. Ela ingressou na Embrapa em 2001 e tem 25 anos de carreira na empresa.

Por que a posse de Mariana é considerada histórica? Porque é a primeira vez em 50 anos de história da Embrapa Gado de Corte que uma mulher assume a chefia-geral da unidade. A posse acontece justamente no ano em que a instituição comemora seu aniversário de meio século.

Quais são os pilares da gestão de Mariana Aragão na Embrapa Gado de Corte? A nova chefe-geral apresentou um plano estruturado em quatro eixos: sustentabilidade, inovação, capacitação e transformação digital. Entre as prioridades está o uso de inteligência artificial para análise de dados em tempo real e a ampliação da capacitação técnica para produtores de todos os portes.

Quanto tempo dura o mandato da nova chefe-geral? O mandato é de dois anos, renovável por igual período. Mariana substituiu o pesquisador Antonio do Nascimento Ferreira Rosa, que ocupava o cargo desde 2020.

Acompanhe as novidades da pesquisa agropecuária em Mato Grosso do Sul e fique por dentro das inovações que saem da Embrapa Gado de Corte direto para o campo. Compartilhe esta matéria com quem trabalha no agronegócio e quer saber o que vem por aí na pecuária brasileira.

Redação Portal Guavira

spot_img

Últimas Notícias