Mato Grosso do Sul chegou a 1.500 quilômetros de rodovias concedidas, e fiscalizar esse volume de contratos exige muito mais do que técnicos em campo. A Agems, Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul, desenvolveu painéis visuais de inteligência de dados que permitem acompanhar em tempo real a execução de obras, o volume de tráfego, as receitas das concessionárias e o impacto de tudo isso nas tarifas pagas pelo usuário. A ferramenta transforma grandes volumes de informação técnica em dados organizados e acessíveis, apoiando decisões estratégicas que afetam diretamente quem usa as estradas do estado.
A regulação que vai além do asfalto
Quando uma rodovia é concedida, o contrato assinado com a concessionária define uma série de compromissos: obras a executar, prazos, valores de investimento, projeções de tráfego e de receita. Verificar se tudo isso está sendo cumprido é o trabalho que não aparece na foto da obra, mas que é fundamental para garantir que o dinheiro do pedágio reverta em benefício real para quem usa a estrada.
Na Agems, esse trabalho é feito em duas frentes simultâneas. De um lado, equipes de engenharia e arquitetura atuam diretamente nas rodovias, verificando obras e serviços no campo. De outro, profissionais de economia e engenharia monitoram o desempenho econômico-financeiro dos contratos, comparando o que foi planejado com o que está sendo efetivamente entregue.
O diretor-presidente Carlos Alberto de Assis resumiu bem o papel desse trabalho: garantir o equilíbrio nos contratos e a segurança para a população é a missão central da regulação. Para ele, não se trata apenas de acompanhar obras, mas de assegurar que investimentos, receitas e tarifas estejam alinhados ao interesse público. A Agems, segundo ele, está investindo em inteligência, informação e modernização para fortalecer a fiscalização em benefício da sociedade.
Os dois eixos do monitoramento econômico
A regulação econômica dos contratos rodoviários se concentra em dois pontos principais. O primeiro é a execução dos investimentos: comparar o que foi previsto e o que a concessionária está efetivamente realizando em cada fase do contrato. O segundo é o acompanhamento do tráfego e da receita, que são fatores diretamente ligados ao equilíbrio do contrato e ao valor das tarifas cobradas nos pedágios.
Esses dados têm origem nos estudos que estruturam as concessões desde o início, como o chamado EVTEA, Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental. Esse documento define as projeções de investimento, custos, demanda e receitas ao longo de todo o período contratual. Com o contrato em andamento, cabe à Agems conferir continuamente se a realidade está alinhada com o que foi projetado.
Como os painéis visuais funcionam na prática
O volume de dados gerado por um contrato de concessão rodoviária é imenso. Para tornar esse conjunto de informações utilizável no dia a dia da regulação, a Agems desenvolveu painéis visuais que organizam os dados técnicos em linguagem acessível, com filtros por área de investimento, localização, período e outros critérios.
A lógica é simples mas poderosa: em vez de analistas precisarem vasculhar planilhas extensas para encontrar uma informação específica, os painéis mostram visualmente o andamento de cada trecho, investimento e fase do contrato, permitindo identificar rapidamente se o cronograma está sendo cumprido, se há atrasos ou antecipações e onde a atenção regulatória precisa ser intensificada.
O coordenador da Câmara de Regulação Econômica da Agems, Kaio Mendes, explica o funcionamento de forma direta: os painéis permitem verificar rapidamente se foi cumprido o percentual de obra previsto para aquele período, se houve atraso ou antecipação. Essa visão facilita a tomada de decisão de forma muito mais rápida e fundamentada.
Um exemplo concreto: a Rota da Celulose
A nova concessão da Rota da Celulose, com 870 quilômetros de extensão, ilustra bem como os painéis funcionam na prática. No trecho da duplicação da BR-262 entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, os painéis permitem visualizar toda a evolução prevista da obra, com investimento de capital estimado em cerca de R$ 600 milhões, com execução prevista entre o segundo e o sexto ano da concessão.
Na mesma concessão, a MS-040 tem previsão de R$ 740 milhões em investimentos de capital destinados a reparos de pavimento e implantação de acostamento. Tudo isso será monitorado em tempo real pelos painéis, que permitem cruzar dados de execução física com os valores previstos contratualmente.
O engenheiro civil Vitor Lima, que participa do desenvolvimento das ferramentas, destaca o nível de detalhe disponível. Os painéis permitem aplicar diferentes filtros, por área de investimento, localização das cidades, período e outros critérios. Para ele, essa é uma ferramenta vital para a regulação e para o serviço que a concessionária entrega ao cidadão.
O que essa modernização representa para o usuário das rodovias
Do ponto de vista de quem usa as estradas de Mato Grosso do Sul, a sofisticação dos instrumentos de monitoramento da Agems tem um reflexo concreto e direto: tarifas de pedágio mais justas e obras que saem do papel no prazo certo.
A diretora de Transportes e Rodovias, Caroline Tomanquevez, é precisa ao explicar a conexão entre o monitoramento econômico e o valor pago nas praças de pedágio. Acompanhar os investimentos e a receita das concessionárias serve justamente para evitar distorções e garantir o menor impacto possível ao usuário. Quando a regulação acompanha de perto o que está sendo executado, fica muito mais difícil para uma concessionária justificar um reajuste de tarifa com base em investimentos que ainda não foram realizados.
A experiência acumulada que virou método
A Agems não chegou a esse nível de sofisticação de um dia para o outro. A experiência acumulada nos contratos de concessão da MS-306, com 219 quilômetros, e da MS-112, com 413 quilômetros, foi fundamental para estruturar as metodologias e ferramentas que agora são aplicadas desde o início em contratos mais recentes e complexos, como o da Rota da Celulose.
Para Caroline Tomanquevez, esse acúmulo de conhecimento é o que permite à Agems ter hoje a concessão na palma da mão, com informações organizadas que apoiam decisões rápidas e mais assertivas. É a regulação aprendendo com a experiência e evoluindo junto com o crescimento do setor.
Perguntas frequentes
O que é a regulação econômica de contratos rodoviários e para que ela serve? É o monitoramento contínuo do desempenho financeiro das concessões rodoviárias, comparando os investimentos previstos com os realizados e acompanhando o tráfego e a receita das concessionárias. Seu objetivo é garantir que os contratos sejam cumpridos e que as tarifas de pedágio sejam justas para o usuário.
Como os painéis visuais da Agems funcionam? São ferramentas desenvolvidas pela própria agência que organizam grandes volumes de dados técnicos em linguagem visual e acessível, com filtros por área de investimento, localização, período e outros critérios. Eles permitem monitorar em tempo real a execução de obras e a evolução financeira dos contratos de concessão.
Quantos quilômetros de rodovias concedidas estão sob fiscalização da Agems em MS? Mato Grosso do Sul chegou a 1.500 quilômetros de rodovias concedidas sob regulação da Agems, incluindo concessões como a MS-306 (219 km), a MS-112 (413 km) e a Rota da Celulose (870 km).
O monitoramento da Agems afeta o valor do pedágio que o motorista paga? Sim, diretamente. Ao acompanhar os investimentos realizados pelas concessionárias e compará-los com o que foi previsto nos contratos, a Agems evita que reajustes de tarifa sejam justificados por obras ainda não executadas, protegendo o bolso de quem usa as rodovias.
Acompanhe as ações da Agems e fique por dentro do que está sendo feito para garantir rodovias de qualidade e tarifas justas em Mato Grosso do Sul. Compartilhe esta matéria com quem usa as estradas do estado e quer saber como a regulação trabalha para proteger o usuário.




