O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou novos dados que revelam um cenário de contrastes na segurança pública brasileira em 2025. Enquanto o país celebrou a quinta queda anual consecutiva no número total de assassinatos, atingindo 34.086 mortes violentas — uma redução de 11% em relação ao ano anterior —, o índice de feminicídios bateu um recorde histórico alarmante. Ao todo, 1.470 mulheres foram assassinadas em razão de gênero, o que representa uma média trágica de quatro vítimas por dia. Essa disparidade nos indicadores reforça a necessidade de políticas públicas específicas e integradas para o combate à violência contra a mulher, mesmo diante da tendência de queda nos crimes violentos letais intencionais de modo geral no território nacional.
Tendência de redução nas mortes violentas
Pelo quinto ano seguido, o Brasil conseguiu reduzir o número total de mortes violentas intencionais, que englobam homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. A trajetória descendente iniciada em 2021 acumula uma queda de aproximadamente 25% desde 2020, consolidando um avanço institucional no controle da criminalidade violenta. Em 2025, a redução foi observada em todas as regiões geográficas, com destaque para o Sul, que registrou um recuo expressivo de 22%. Esse resultado é atribuído a investimentos em inteligência, integração entre forças de segurança estaduais e federais e programas de prevenção ao crime.
Análise regional da queda dos índices
A queda nos assassinatos em 2025 não foi uniforme, mas apresentou resultados positivos em todos os blocos regionais. Além da liderança do Sul, o Centro-Oeste apresentou uma diminuição de 18% nos casos, seguido pelo Norte (-11%), Nordeste (-10%) e Sudeste (-8%). Esses números afastam o país do pico histórico registrado em 2017, quando foram contabilizados mais de 60 mil assassinatos em um único ano. O fortalecimento dos Conselhos de Segurança e a implementação de tecnologias de monitoramento têm sido apontados como fatores cruciais para a manutenção dessa curva descendente.
O desafio persistente dos feminicídios
Apesar da melhoria nos indicadores gerais de homicídios, a violência de gênero atingiu seu ápice desde a tipificação do crime em 2015. O recorde de 1.470 feminicídios em 2025 representa uma alta de 316% em uma década, evidenciando que a violência doméstica e a misoginia continuam a fazer vítimas fatais em ritos diários de brutalidade. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram o ranking absoluto de casos, enquanto estados como Acre e Rondônia apresentam as maiores taxas de mortes por 100 mil habitantes. Especialistas apontam que o aumento nos registros também reflete uma maior eficiência na notificação e identificação correta desses crimes pelas polícias civis.
Mudanças legislativas e aumento de penas
Diante da gravidade dos números, o governo federal sancionou em outubro de 2025 um projeto de lei que endurece significativamente as punições para crimes contra a mulher. A nova legislação elevou a pena mínima para feminicídio de 12 para 20 anos de reclusão, com a máxima podendo chegar a 40 anos. Além do aumento do tempo de prisão, a lei prevê agravantes quando o crime é cometido na presença de filhos ou pais da vítima, ou ainda contra mulheres grávidas e idosas. O endurecimento penal busca atuar como um inibidor, mas autoridades reconhecem que a mudança cultural e o acolhimento preventivo às vítimas são igualmente essenciais para reverter essa estatística.
Integração e metas para a segurança pública
A divergência entre a queda de assassinatos comuns e a alta de feminicídios coloca o Ministério da Justiça em um novo estágio de planejamento estratégico. O Plano Nacional de Segurança Pública agora prioriza ações de inteligência contra o crime organizado — principal motor dos homicídios gerais — simultaneamente à expansão da rede de proteção à mulher, como a construção de novas Casas da Mulher Brasileira e o fortalecimento das patrulhas Maria da Penha. O objetivo institucional é garantir que a tendência de redução de mortes violentas seja, enfim, acompanhada por uma queda real e sustentada nos crimes de ódio contra as mulheres.
Perguntas frequentes
Por que o feminicídio aumentou se o número de assassinatos caiu?
A queda nos assassinatos gerais está ligada ao controle do crime organizado e violência urbana, enquanto o feminicídio ocorre majoritariamente no ambiente doméstico, exigindo estratégias de prevenção cultural e acolhimento que ainda enfrentam grandes desafios.
Qual região do Brasil teve a maior redução de mortes violentas?
A região Sul liderou a queda em 2025 com uma redução de 22% nas mortes violentas intencionais em comparação ao ano anterior.
O que mudou na lei de feminicídio em 2025?
A pena foi endurecida, passando a ter uma faixa de 20 a 40 anos de prisão, além da inclusão de novos agravantes que podem aumentar a condenação em até um terço.
Denuncie a violência contra a mulher ligando para o número 180. A proteção à vida é uma responsabilidade de todos e o silêncio apenas fortalece o ciclo de violência. Ajude a salvar vidas e colabore para uma sociedade mais segura e justa para todas.
Redação Portal Guavira


