quinta-feira, janeiro 29, 2026
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CASSEMS: Família transforma trauma em capacitação técnica para salvar vidas após acidente

A trajetória de superação do menino Lucas Emanuel, de 12 anos, tornou-se um catalisador para a conscientização sobre a importância dos primeiros socorros em Mato Grosso do Sul. Após sobreviver a um grave episódio de engasgamento que resultou em 12 minutos de parada respiratória, sua família decidiu transformar o trauma em uma ação educativa coletiva. O que começou como um susto durante um almoço de domingo evoluiu para a mobilização de 20 familiares que buscaram capacitação técnica específica para lidar com emergências médicas. A iniciativa reforça a necessidade de preparo da sociedade civil para agir em situações onde cada segundo é determinante para a sobrevivência e para a prevenção de sequelas neurológicas permanentes.​

Do desespero à mobilização técnica familiar

O incidente ocorreu durante um momento de lazer familiar, quando um pedaço de carne obstruiu as vias aéreas do adolescente. Mesmo com as tentativas iniciais de socorro, o engasgo evoluiu rapidamente para uma parada respiratória, exigindo uma intervenção hospitalar intensiva que incluiu nove dias de internação, quatro deles em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Diante da gravidade do ocorrido e da percepção de que o despreparo técnico poderia ter levado a um desfecho fatal, a família de Lucas Emanuel tomou a iniciativa pioneira de organizar um curso de primeiros socorros. Esta ação visa garantir que, em futuras emergências, os membros da família possuam o domínio técnico necessário para aplicar manobras de desobstrução de forma eficaz.​

A importância da manobra de Heimlich

O foco central do treinamento mobilizado pela família é a correta execução da manobra de Heimlich, técnica reconhecida internacionalmente para salvar vítimas de asfixia por corpo estranho. A manobra consiste na aplicação de compressões abdominais rítmicas que forçam a expulsão do objeto através da pressão do ar dos pulmões. Conhecer o posicionamento correto das mãos — entre o umbigo e a caixa torácica — e o movimento em formato de “J” é essencial para que qualquer leigo possa intervir antes da chegada do socorro especializado. No caso de Lucas, a intervenção médica ágil foi o que garantiu uma alta sem sequelas, mas o treinamento familiar busca encurtar ainda mais esse tempo de resposta.​

Legislação e responsabilidade coletiva na prevenção

A mobilização da família de Lucas Emanuel ecoa os princípios da Lei Lucas (Lei Federal 13.722/2018), que tornou obrigatória a capacitação em primeiros socorros em instituições de ensino e recreação em todo o Brasil. A legislação surgiu após um caso semelhante em 2017 e visa assegurar que profissionais da educação estejam aptos a lidar com engasgos e paradas cardiorrespiratórias no ambiente escolar. No entanto, o exemplo da família sul-mato-grossense demonstra que essa responsabilidade deve se estender também ao ambiente doméstico, onde ocorre a maioria dos acidentes por aspiração de alimentos ou objetos.​

Ampliação do acesso ao conhecimento de socorrismo

A transformação do trauma em treinamento serve como um modelo institucional de como a sociedade civil pode se organizar para elevar os padrões de segurança comunitária. Ao mobilizar instrutores qualificados para capacitar o núcleo familiar, os parentes de Lucas Emanuel não apenas protegem seus próprios entes, mas tornam-se multiplicadores de conhecimento em seus círculos sociais e profissionais. A meta de projetos inspirados nesta história é que o “abraço da vida” — termo lúdico para a manobra de salvamento — torne-se um conhecimento universal e acessível a todos os cidadãos.​

O valor da vida e a cultura da preparação

A história de Lucas Emanuel, que enfrentou até uma pneumonia bacteriana após o incidente, termina com uma celebração à vida e ao preparo técnico. A agilidade no atendimento hospitalar e a dedicação das equipes de terapia intensiva foram fundamentais, mas a conscientização familiar é o que garantirá a prevenção a longo prazo. O caso reafirma que a saúde pública e a segurança individual são construídas através da educação continuada e da prontidão para o agir.​

Através desta matéria, reforçamos que o conhecimento técnico é a maior ferramenta contra o desespero em situações de crise. O exemplo da família de Lucas Emanuel deve inspirar outras comunidades, condomínios e empresas a buscarem treinamentos regulares, garantindo que o susto do engasgo seja sempre superado pela técnica do salvamento.​

Perguntas Frequentes

O que devo fazer imediatamente se alguém engasgar?
Se a pessoa consegue tossir com força, incentive-a; se não consegue falar ou respirar, inicie imediatamente a manobra de Heimlich e peça para alguém ligar para o SAMU (192) ou Bombeiros (193).​

Qualquer pessoa pode realizar a manobra de Heimlich?
Sim, a manobra pode ser praticada por qualquer pessoa, desde que siga as orientações técnicas de posicionamento e pressão correta para evitar lesões e garantir a expulsão do objeto.​

A Lei Lucas se aplica apenas a escolas?
Embora a obrigatoriedade legal foque em escolas, creches e centros esportivos, o treinamento é recomendado para todos os locais com atendimento ao público e para núcleos familiares.​

Proteja quem você ama buscando capacitação técnica: inscreva sua família ou empresa em cursos de primeiros socorros e esteja pronto para salvar vidas em situações de emergência.

Redação Portal Guavira

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