O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Três Lagoas, inaugurado em 15 de dezembro de 2025, já se tornou uma referência estratégica para a fauna do Leste de Mato Grosso do Sul, com 137 atendimentos realizados desde o início de suas operações. Um dos casos mais emblemáticos foi o de um tamanduá-bandeira atropelado, que chegou debilitado e em estado grave à unidade, mas foi tratado com sucesso pela equipe veterinária especializada e devolvido à natureza após a recuperação completa. O centro, resultado de mais de dez anos de articulação entre o poder público e empresas da região, representa um avanço inédito no modelo de proteção e conservação da biodiversidade sul-mato-grossense. Com investimento de R$ 1,7 milhão e estrutura técnica de ponta, a unidade simboliza o compromisso institucional com a preservação ambiental como política pública permanente.
O caso símbolo e o impacto do atendimento especializado
A recuperação do tamanduá-bandeira foi o primeiro grande teste da eficácia do Cetas de Três Lagoas, demonstrando na prática a importância de uma unidade especializada instalada no interior do estado. O animal deu entrada com quadro clínico delicado, e a proximidade com a unidade foi determinante para seu prognóstico, evitando o longo deslocamento até Campo Grande, que poderia comprometer suas chances de sobrevivência. Após tratamento intensivo, reabilitação e avaliação final, o tamanduá foi considerado apto e reintroduzido ao ambiente natural, tornando-se o símbolo vivo da efetividade do trabalho realizado.
Para o diretor-presidente do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), André Borges, o episódio é emblemático do papel que o centro desempenha na política estadual de conservação. “A recuperação e a soltura desse tamanduá demonstram a relevância do Cetas de Três Lagoas para a proteção da fauna silvestre. São ações como essa que reforçam o compromisso do Imasul com a conservação da biodiversidade e com o atendimento adequado aos animais vítimas de acidentes”, destacou Borges. Esse tipo de resultado concreto é o que sustenta a credibilidade institucional do centro perante a sociedade e as empresas parceiras.
Perfil dos atendimentos e demanda regional confirmada
Os números registrados desde dezembro de 2025 evidenciam a expressiva demanda reprimida que existia na região antes da instalação do Cetas. Do total de 137 atendimentos, 114 foram de aves, 21 de répteis e 2 de mamíferos, incluindo um lobinho que deu entrada na unidade no período mais recente. Esse perfil reflete a rica biodiversidade do corredor ecológico que caracteriza o território de Três Lagoas, com extensas áreas de vegetação nativa, reflorestamento e matas ciliares.
O fiscal ambiental e chefe da Unidade Regional do Imasul em Três Lagoas, Rafael Alex Barbosa, reforçou o caráter estratégico da decisão de implantar a unidade no município. “Esses atendimentos mostram que a criação do Cetas em Três Lagoas foi uma decisão estratégica. A unidade permite respostas mais rápidas às ocorrências, reduz o tempo de deslocamento e aumenta significativamente as chances de recuperação e soltura dos animais”, ressaltou Barbosa. Os dados acumulados em poucos meses de operação validam o diagnóstico que fundamentou mais de dez anos de planejamento técnico para a criação da unidade.
Descentralização e integração com o Cras de Campo Grande
Antes da criação do Cetas em Três Lagoas, todos os animais feridos ou apreendidos na região Leste eram encaminhados ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande, gerando sobrecarga na unidade da capital e aumentando o risco para os animais durante o transporte. A implantação da nova unidade descentralizou o atendimento, permitindo que o Cras receba apenas os casos de maior complexidade clínica, otimizando o fluxo em todo o sistema estadual de proteção à fauna.
Para a gestora do Cras/Imasul, Aline Duarte, a integração entre as unidades representa um salto qualitativo na política estadual de proteção ambiental. “O Cetas de Três Lagoas tem um papel fundamental ao realizar a triagem e os atendimentos iniciais na própria região. Isso permite que o Cras receba apenas os casos de maior complexidade, garantindo melhor organização do fluxo, mais eficiência no tratamento e melhores condições de recuperação para os animais silvestres”, explicou Duarte. Essa sinergia institucional eleva o padrão do atendimento em todo o estado e garante respostas mais céleres em situações de emergência.
Modelo de parceria público-privada como diferencial
A viabilização do Cetas de Três Lagoas é um exemplo bem-sucedido de parceria entre o poder público e o setor produtivo, com um investimento total de aproximadamente R$ 1,7 milhão financiado pelas empresas da região. Companhias como Suzano, Eldorado, Cargill, Curtume Três Lagoas, Omya do Brasil, International Paper, Nouryon, Sitrel, Proactiva, White Martins e Arauco participaram do financiamento da obra e da aquisição de equipamentos, reconhecendo a responsabilidade ambiental como parte integrante de suas operações.
O Imasul complementou a estrutura com o fornecimento de mobiliário, equipamentos, sistema de climatização, geladeira, bebedouro e veículo operacional, garantindo plena funcionalidade desde o primeiro dia. A concepção arquitetônica da unidade seguiu padrões técnicos específicos para o manejo seguro de fauna silvestre, com rígidos critérios de bem-estar animal e segurança sanitária conforme a legislação ambiental vigente. Esse modelo colaborativo pode ser replicado em outras regiões do estado, consolidando uma rede estadual robusta de proteção à biodiversidade.
Biodiversidade protegida e política ambiental fortalecida
O Cetas de Três Lagoas representa uma conquista coletiva que posiciona Mato Grosso do Sul na vanguarda da gestão ambiental no Brasil. Em pouco mais de dois meses de operação, a unidade já demonstrou sua capacidade de transformar situações críticas em histórias de recuperação, como a do tamanduá-bandeira que hoje volta a percorrer livremente o Cerrado sul-mato-grossense. O resultado é a materialização de uma visão institucional que entende o desenvolvimento regional como inseparável da preservação dos ecossistemas que o sustentam.
Com a consolidação do Cetas, Três Lagoas reafirma sua vocação de cidade que cuida de sua natureza e que planeja o futuro com consciência ambiental. O investimento na vida silvestre é, em última análise, um investimento na qualidade de vida das gerações presentes e futuras.
Perguntas frequentes sobre o Cetas de Três Lagoas
Quando o Cetas de Três Lagoas começou a funcionar?
O centro iniciou suas operações em 15 de dezembro de 2025 e, desde então, já realizou 137 atendimentos a animais silvestres de diversas espécies.
Quais espécies foram atendidas pelo centro?
A unidade já recebeu 114 aves, 21 répteis e 2 mamíferos, incluindo um tamanduá-bandeira e um lobinho, refletindo a biodiversidade do corredor ecológico da região de Três Lagoas.
Qual foi o investimento total na criação do Cetas?
O investimento total chegou a aproximadamente R$ 1,7 milhão, financiado por empresas parceiras da região, com complementação de infraestrutura por parte do Imasul.
Ao encontrar um animal silvestre ferido na região de Três Lagoas ou cidades vizinhas, acione imediatamente a Unidade Regional do Imasul ou a Polícia Militar Ambiental para que a equipe do Cetas possa realizar o resgate com segurança e oferecer o tratamento adequado ao animal.



