segunda-feira, março 23, 2026
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COP15 começa em Campo Grande com Pantanal no centro do debate global

A COP15 da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres começou nesta segunda-feira (23) em Campo Grande, reunindo cerca de 2 mil representantes de 133 países no Bosque Expo. O evento, promovido pela ONU sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, coloca Mato Grosso do Sul no coração de uma das mais importantes discussões ambientais do planeta. É a primeira vez que o Brasil sedia essa conferência, e a escolha de Campo Grande não é por acaso: 70% do Pantanal está no estado, bioma que abriga mais de 190 espécies migratórias e cerca de 600 espécies de aves.

O que está em jogo na conferência desta semana

A COP15 não é uma conferência climática no sentido que a maioria das pessoas conhece. Ela não trata de emissões de carbono ou de metas de temperatura global. Seu foco é outro, mas igualmente urgente: garantir que as espécies que migram entre países continuem tendo rotas, habitats e condições de sobrevivência ao longo de todo o percurso que fazem durante sua vida.

Os números que chegaram à conferência são difíceis de ignorar. Relatórios apresentados durante a abertura apontam que 49% das espécies migratórias estão em declínio populacional e 24% já se encontram ameaçadas de extinção. Pressão humana sobre habitats, caça ilegal, poluição química e luminosa, fragmentação de ecossistemas e mudanças climáticas aparecem como as principais ameaças.

As 42 espécies que podem ganhar proteção esta semana

Uma das decisões mais concretas que os delegados precisam tomar ao longo dos sete dias de conferência é a inclusão de 42 novas espécies nos anexos do tratado internacional. Entre elas estão animais emblemáticos como a coruja-das-neves, o tubarão-martelo e a hiena-listrada. Incluir uma espécie no tratado significa que os países signatários assumem compromissos formais para protegê-la ao longo de toda a sua rota migratória, independente de fronteiras.

Além da lista de espécies, a agenda inclui mais de 100 pontos de negociação, cobrindo temas como conectividade ecológica, acordos regionais de conservação, ações concertadas entre países e declarações políticas de alto nível.

O Pantanal que o mundo não conhecia até agora

Um dos argumentos mais repetidos durante a abertura da COP15 foi o de que o Pantanal, apesar de ser o maior complexo de zonas úmidas do planeta, ainda é relativamente pouco conhecido fora do Brasil. A conferência chega como uma oportunidade concreta de mudar isso, com líderes de governo, cientistas, jornalistas e representantes de organizações internacionais de mais de 130 países circulando pela capital sul-mato-grossense durante uma semana inteira.

O governador Eduardo Riedel foi direto ao falar sobre o que o estado tem a mostrar ao mundo. Em suas palavras, Mato Grosso do Sul é um estado que sabe crescer de forma responsável: avança economicamente, com taxas de crescimento acima da média nacional, e ao mesmo tempo mantém políticas concretas de conservação ambiental. Pagamento por serviços ambientais, brigadas de conservação, o Fundo Pantanal e o Pacto pelo Pantanal foram citados como exemplos de ações que já estão em execução, não apenas no papel.

Lula anuncia proteção de 148 mil hectares às vésperas da COP

No domingo (22), um dia antes da abertura oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Campo Grande para o segmento de alto nível da COP15 e anunciou medidas que chegaram como sinal do compromisso brasileiro com a agenda da conferência. Foram ampliadas as áreas do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, e foi criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas. Ao todo, mais de 148 mil hectares passaram a ter proteção legal.

A iniciativa foi conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e reforça a conectividade ecológica em áreas que são rotas naturais de espécies migratórias.

O Brasil como articulador global da biodiversidade

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, usou sua fala na abertura para posicionar o Brasil como um país que quer liderar pelo exemplo, não apenas pelo discurso. Ela apontou que realizar a COP15 poucos meses antes da COP30 do clima, prevista para Belém, demonstra que o Brasil está apostando numa agenda ambiental consistente e contínua.

Marina Silva foi enfática sobre a urgência do momento. Com quase metade das espécies migratórias em declínio e um quarto já ameaçadas, a conferência não pode ser mais um evento de boas intenções. Ela convocou os participantes a assumir compromissos que se traduzam em proteção real de rotas, habitats e populações de espécies ao redor do planeta.

Mato Grosso do Sul como referência em governança climática

Um dado apresentado durante a abertura chama atenção pelo que significa institucionalmente: Mato Grosso do Sul é o único estado brasileiro que cumpre todos os critérios de governança climática entre os entes subnacionais. Isso foi registrado no Anuário Estadual de Políticas Climáticas entregue ao governador Riedel durante a abertura da COP.

O estado tem política estadual de mudanças climáticas implantada, fórum estadual ativo e é o único que possui tanto o Fundo Clima Pantanal quanto o Fundo Clima com estruturas legais completas. Na prática, isso significa que MS está juridicamente pronto para avançar na gestão dos impactos climáticos sobre sua economia e seus biomas.

O que a COP15 deixa para Campo Grande e para MS

Independente das negociações que ocorrem dentro da Zona Azul do Bosque Expo, a COP15 já deixou uma marca concreta em Campo Grande antes mesmo de terminar. A cidade se apresentou ao mundo como sede de um evento global, com capacidade operacional, infraestrutura e um bioma único que por si só justifica a escolha.

Para Mato Grosso do Sul, a conferência representa um capítulo novo na relação do estado com a comunidade científica e política internacional. Universidades, pesquisadores e instituições locais estão aproveitando a presença dos delegados para firmar parcerias que podem ter efeitos práticos muito além desta semana.

Perguntas frequentes

O que é a COP15 da CMS e por que ela é diferente das outras COPs? A COP15 da CMS é a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres, um tratado da ONU em vigor desde 1979. Diferente das conferências climáticas sobre emissões de carbono, esta conferência foca especificamente na proteção das espécies que migram entre países e na preservação das suas rotas e habitats.

Por que Mato Grosso do Sul foi escolhido para sediar a COP15? Pela relevância estratégica do Pantanal, bioma compartilhado com Bolívia e Paraguai, com 70% de sua área em MS. O bioma é um dos principais corredores de rotas migratórias das Américas e abriga mais de 190 espécies migratórias e cerca de 600 espécies de aves.

Quais foram os anúncios concretos feitos durante a COP15? O presidente Lula anunciou a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, da Estação Ecológica do Taiamã e a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, somando mais de 148 mil hectares de áreas protegidas.

Quantos países participam da COP15? A conferência reúne representantes de 133 países signatários da CMS, além de organizações internacionais, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e representantes da sociedade civil de diversas partes do mundo.

Acompanhe a cobertura completa da COP15 em Campo Grande e fique por dentro das decisões que vão definir o futuro das espécies migratórias no planeta. Compartilhe esta matéria e ajude a colocar o Pantanal no lugar que ele merece: no centro da agenda ambiental global.

Redação Portal Guavira

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