O governo do Paraguai confirmou nesta semana um ajuste significativo de 63% no valor de venda das terras fiscais localizadas em áreas estratégicas do país. A medida, anunciada pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert), atinge diretamente as propriedades situadas na zona de influência do corredor bioceânico, no Chaco paraguaio. Esta decisão busca corrigir um descompasso histórico nos preços de mercado, que permaneciam inalterados desde 2013 devido ao que as autoridades classificaram como “desídia institucional”. Com a proximidade da conclusão das obras viárias que conectarão os portos do Atlântico aos do Pacífico, a valorização das áreas rurais na região tornou-se um ativo fundamental para o equilíbrio das contas públicas do país vizinho.
Impacto da infraestrutura na valorização do Chaco
A construção da Rota Bioceânica transformou radicalmente o perfil econômico do Chaco paraguaio, elevando a competitividade logística e atraindo investidores internacionais. Segundo Francisco Ruiz Díaz, presidente do Indert, o Estado não poderia permitir que a infraestrutura financiada com recursos públicos resultasse em lucro exclusivo para setores privados que adquirissem terras a preços fiscais defasados. Por essa razão, todas as adjudicações e vendas de imóveis fiscais foram temporariamente suspensas até que os novos valores, alinhados à realidade do mercado imobiliário rural, entrassem em vigor. O ajuste técnico baseia-se na inflação acumulada de 62,6% registrada entre 2013 e o final de 2025, conforme dados validados pelo Banco Central do Paraguai.
Conclusão de trechos estratégicos em 2026
O cronograma das obras do corredor bioceânico segue em ritmo acelerado, com previsão de que o segmento paraguaio seja totalmente finalizado até o final de 2026. Atualmente, o Lote 1 da Rota PY15 apresenta avanços expressivos em pavimentação e infraestrutura urbana na cidade de Mariscal Estigarribia, consolidando o Paraguai como o coração logístico da América do Sul. Além da estrada, a ponte binacional sobre o Rio Paraguai, que liga o país ao Brasil por Porto Murtinho (MS), já atingiu mais de 63% de execução física. Este conjunto de investimentos reduzirá o tempo de frete para a Ásia em até 20 dias, transformando as terras outrora isoladas em um dos eixos produtivos mais promissores do continente.
Nova política de reajuste automático anual
Para evitar que novos congelamentos de preços ocorram nas próximas décadas, a administração do Indert implementará um mecanismo de ajuste automático anual dos valores fiscais. Esta nova política cumpre as diretrizes da Lei 55/13, que exige revisões anuais baseadas no Índice de Precios al Consumidor (IPC), mas que nunca havia sido efetivamente aplicada de forma rigorosa. Com o novo fator de correção, o valor das terras rurais crescerá em harmonia com o desenvolvimento econômico do país, garantindo que o patrimônio territorial estatal seja gerido com responsabilidade financeira e transparência perante os órgãos de controle.
Proposta aguarda validação da presidência
Embora os dados técnicos já estejam consolidados, a aplicação definitiva do aumento de 63% depende da validação política do presidente Santiago Peña. A proposta visa não apenas arrecadar recursos para o desenvolvimento agrário, mas também sanear as finanças do próprio Indert, permitindo que a instituição invista na regularização de pequenos produtores e em projetos de infraestrutura básica no interior do país. A expectativa de mercado é que a medida seja aprovada rapidamente, dado o forte impacto positivo na competitividade do Paraguai como um destino seguro para investimentos estrangeiros em agropecuária e logística em 2026.
O papel do Paraguai no mercado global
Com o PIB crescendo acima da média regional (4,2% em 2024), o Paraguai consolida-se como uma força exportadora de soja e carne bovina, setores que serão os maiores beneficiados pelo corredor transcontinental. A valorização das terras estatais reflete esse novo momento de maturidade econômica, onde o território nacional deixa de ser visto apenas como fronteira agrícola e passa a ser reconhecido como uma plataforma de integração estratégica entre o Atlântico e o Pacífico.
A finalização da rota em 2026 trará ganhos estimados em R$ 10 bilhões anuais apenas para as exportações de estados vizinhos como Mato Grosso do Sul, reforçando a importância de uma gestão de terras eficiente e moderna em ambos os lados da fronteira.
Perguntas Frequentes
Por que o governo paraguaio decidiu aumentar o preço das terras agora?
A decisão visa corrigir uma defasagem de 13 anos e capturar a valorização imobiliária real gerada pela construção do Corredor Bioceânico.
Qual a situação das obras da Rota Bioceânica no Paraguai?
As obras estão avançadas em diversos lotes, com a previsão de conclusão total do trecho paraguaio e da ponte binacional no início de 2026.
Investidores estrangeiros podem comprar essas terras fiscais?
A aquisição de terras estatais possui regras específicas para paraguaios e estrangeiros, mas a valorização geral da região atrai investidores privados para compras em leilões e no mercado secundário.
Acompanhe as notícias sobre integração regional e aproveite as janelas de oportunidade que o novo eixo logístico sul-americano abrirá para o mercado de terras em 2026.


