terça-feira, fevereiro 3, 2026
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Ferrovia bioceânica liga cinco países e dois oceanos com investimentos bilionários

A ferrovia bioceânica ressurge como um dos projetos mais ambiciosos de integração logística da América do Sul, com potencial para redesenhar as rotas de exportação da mineração e da agricultura na região. Com investimento estimado em 15 bilhões de dólares, o corredor ferroviário pretende ligar o porto de Ilo, no Peru, ao porto de Santos, no Brasil, conectando cinco países e dois oceanos em um eixo contínuo de transporte de cargas. A proposta se insere em uma estratégia maior de competitividade internacional, ao oferecer uma alternativa terrestre mais rápida e econômica em relação às rotas marítimas tradicionais, especialmente para o escoamento de grãos, minerais e produtos manufaturados.

O projeto se apoia na combinação de trechos ferroviários já existentes com a construção de novas linhas, criando um corredor integrado de grande escala. Além do impacto econômico direto, a ferrovia bioceânica é vista como uma alavanca de desenvolvimento regional, ao aproximar zonas produtivas do interior dos principais portos de exportação da costa pacífica e atlântica. Em um contexto de crescente presença chinesa no financiamento e na tecnologia ferroviária na região, a proposta ganha relevância geopolítica e reforça o papel da América do Sul como provedora de commodities estratégicas para os mercados asiático e europeu.

Estrutura do corredor e países envolvidos

O traçado da ferrovia bioceânica está concebido como um eixo principal com ramificações que atravessam importantes áreas produtivas da América do Sul. A ideia central é integrar, em um mesmo corredor, diferentes economias e cadeias logísticas.

Rota Ilo–Santos e ramais estratégicos

A rota proposta parte do porto de Ilo, no Peru, na costa do Pacífico, e segue pelo altiplano boliviano, passando pela região de La Paz, onde será necessária a continuidade ferroviária entre redes hoje desconectadas. A partir desse eixo central, o corredor se estende por ramais no Paraguai e no norte da Argentina, capturando cargas agroindustriais, minerais e industriais. No Brasil, a ligação se completa rumo ao porto de Santos, principal porta de saída de produtos brasileiros para o mercado externo. Em termos de planejamento, o projeto está associado ao Corredor Ferroviário Central Bioceânico e figura na carteira da IIRSA em fase de pré-execução, com foco na elevação de padrões de carga e na solução de gargalos andinos e amazônicos.

Impacto para mineração, agronegócio e competitividade

A vocação principal do corredor é o transporte de grandes volumes de carga com maior eficiência e menor custo por tonelada-quilômetro. Essa característica o torna especialmente atrativo para setores intensivos em logística, como mineração e agronegócio.

Redução de custos e maior frequência de embarques

Ao permitir partidas mais diretas das regiões produtoras do interior até os portos, a ferrovia bioceânica reduz etapas intermediárias e dependência do transporte rodoviário em longas distâncias. Para a mineração, isso significa ganho de competitividade em concentrados e cargas de grande volume, com melhor previsibilidade de fluxo e menor custo unitário. O setor agrícola, por sua vez, poderá se beneficiar de uma alternativa mais rápida para o envio de grãos e derivados aos mercados asiáticos, encurtando prazos em relação às rotas que contornam o Cabo da Boa Esperança ou o Canal do Panamá. Experiências recentes no Chile, como exportações de lítio em esquemas binacionais, demonstram como corredores transfronteiriços já começam a remodelar rotas logísticas no Cone Sul.

Desafios técnicos, financeiros e regulatórios

Apesar do potencial transformador, o projeto enfrenta desafios significativos em sua implementação. A complexa geografia andina e amazônica, bem como a necessidade de harmonização de normas entre diferentes países, compõem um quadro desafiador.

Engenharia de alto custo e alinhamento político

Entre os obstáculos técnicos mais relevantes estão os trechos da Cordilheira dos Andes, que exigem obras de engenharia avançada, como túneis e pontes, para garantir continuidade e capacidade de carga. Nas zonas amazônicas, a dificuldade se relaciona à preservação ambiental e à manutenção de infraestrutura em áreas de acesso restrito. Do ponto de vista institucional, ainda são necessários estudos adicionais para definição do traçado final, estruturação financeira (incluindo modelos de concessão e participação estatal) e alinhamento regulatório entre os países quanto a alfândegas, interoperabilidade ferroviária e padrões de carga. A manifestação de interesse de empresas chinesas, como a CRRC Dalian, em fornecer tecnologia e financiamento, indica um caminho possível para viabilizar o empreendimento.

Perguntas frequentes

Quais países serão diretamente conectados pela ferrovia bioceânica?
A rota planejada conecta Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil, ligando o porto de Ilo, no Pacífico, ao porto de Santos, no Atlântico.

Qual é o valor estimado de investimento no projeto?
O investimento preliminar total da ferrovia bioceânica é estimado em cerca de 15 bilhões de dólares, envolvendo integração de trechos existentes e novas obras.

Qual o principal benefício logístico esperado com o corredor Ilo–Santos?
O principal benefício é a redução de tempo e custo no transporte de minerais, grãos e produtos manufaturados, com menor custo por tonelada-quilômetro e maior frequência de embarques a partir do interior.

Para acompanhar a evolução dos estudos e decisões sobre a ferrovia bioceânica e outras obras da integração sul-americana, acompanhe nossos canais oficiais e mantenha-se informado sobre os próximos marcos desse projeto estratégico.

Redação Portal Guavira

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