A valorização de clássicos do motociclismo ganhou um novo marco com o leilão de um protótipo raríssimo da Honda CB750, conhecido no Brasil como “sete galo”, arrematado por US$ 285 mil, cerca de R$ 1,5 milhão em conversão direta. Construída artesanalmente em outubro de 1968, a motocicleta é apontada como o primeiro exemplar da CB750 enviado aos Estados Unidos e uma das peças mais relevantes da história industrial das duas rodas. O resultado evidencia a força do mercado de colecionáveis, onde a combinação de raridade, procedência e originalidade pode elevar um veículo a um patamar de patrimônio histórico. Mais do que um número expressivo, o lance milionário simboliza o reconhecimento internacional de uma motocicleta que ajudou a redefinir padrões técnicos do setor ao final da década de 1960.
Uma motocicleta única e anterior à pré-série
O protótipo leiloado se diferencia de forma decisiva de unidades de pré-série que chegaram ao mercado norte-americano apenas em janeiro de 1969. A própria casa de leilões, segundo o registro do caso, esclareceu que muitos modelos de pré-produção são equivocadamente chamados de protótipos, mas que este exemplar antecede as demais unidades e integrou a estratégia de lançamento do modelo. Em um mercado que valoriza precisão histórica, esse detalhe tem peso significativo, pois define o grau de exclusividade e a importância do bem para museus e coleções privadas.
A relevância do exemplar também está na sua trajetória institucional de divulgação e promoção da marca no exterior. O envio aos Estados Unidos teria sido realizado pessoalmente por Soichiro Honda, fundador da fabricante, para Bob Hansen, personagem associado à promoção das atividades esportivas da Honda no país nas décadas de 1960 e 1970. Esse tipo de procedência reforça a autenticidade do item, transformando a motocicleta em um documento físico da expansão global da indústria japonesa no pós-guerra.



Detalhes técnicos que justificam o valor
Em colecionismo, a singularidade é medida, muitas vezes, pelo que não se repete em nenhum outro exemplar. O protótipo leiloado tem um diferencial descrito como único: é o único exemplar conhecido com o nome “Honda” fundido diretamente na tampa do motor. Nos modelos de produção da CB750, a inscrição passou a ser “OHC 750”, o que torna esse detalhe uma “assinatura” histórica de uma fase anterior ao produto final.
O conjunto técnico também ajuda a explicar por que a CB750 é tratada como referência no período. O protótipo conta com motor de quatro cilindros em linha e 736 cm³, câmbio manual de cinco marchas, suspensão dianteira com garfo telescópico e freio a disco único de 295 mm na dianteira — soluções avançadas para o final dos anos 1960, citadas como fundamentais para consolidar a CB750 como referência técnica mundial. A combinação de engenharia, pioneirismo e reputação industrial converge para a formação de valor em leilões, onde a “história embutida” pesa tanto quanto o estado do veículo.
Restauração, originalidade e credibilidade
A restauração é outro ponto-chave no mercado de clássicos: ela pode elevar a peça ou desvalorizá-la, dependendo do método. No caso do protótipo, o texto registra que a CB750 passou a integrar, nos anos 1990, a coleção de Vic World e foi submetida a um trabalho extenso de restauração em sua oficina, a World Motorcycles, em San Bruno, Califórnia. O processo teria sido iniciado em 2002 e concluído apenas no início de 2024, com foco total em preservar a originalidade e as características históricas do exemplar.
Mesmo detalhes como quilometragem são tratados com cautela em peças históricas. O hodômetro marca menos de 500 km, mas a quilometragem não é considerada oficial devido ao processo de restauração, mantendo o compromisso com a precisão na descrição do bem. Outro aspecto mencionado como marcante é a partida no pedal, característica que reforça a identidade de época e ajuda a contar a história do objeto de forma autêntica.
O que o leilão sinaliza ao mercado
O valor alcançado reafirma uma tendência: itens com procedência sólida e caráter fundador (protótipos, primeiras séries e unidades de demonstração) tendem a ocupar o topo do mercado de colecionismo. Ao migrar para uma nova coleção privada, o protótipo preserva o status de uma das mais importantes CB750 já mantidas e, pelo montante obtido, é descrito como forte candidata a ser, até o momento, a “sete galo” mais cara da história. Para entusiastas e investidores, isso reforça a percepção de que motos clássicas, quando raras e bem documentadas, também funcionam como ativos culturais de alto valor.
No plano simbólico, o episódio recoloca em evidência a capacidade da indústria japonesa de romper barreiras técnicas e conquistar mercados internacionais. A CB750, ao longo do tempo, tornou-se sinônimo de mudança de paradigma, e o protótipo leiloado é a materialização mais rara desse movimento. Em um setor que mistura paixão, memória e engenharia, o leilão transforma um veículo em uma narrativa viva sobre inovação e competitividade global.
Perguntas e respostas
Quanto foi pago na Honda CB750 protótipo leiloada?
O protótipo foi arrematado por US$ 285 mil, cerca de R$ 1,5 milhão em conversão direta.
Por que essa CB750 é considerada tão especial?
Ela é descrita como um protótipo artesanal de outubro de 1968, anterior às unidades de pré-série que chegaram aos EUA em 1969, e possui detalhes únicos, como o nome “Honda” fundido na tampa do motor.
A moto foi restaurada?
Sim, o exemplar passou por um processo extenso de restauração iniciado em 2002 e concluído no início de 2024, com foco em preservar a originalidade.
Se você acompanha o mercado de motos clássicas, use este caso como referência para avaliar procedência, documentação e originalidade antes de investir ou colecionar, e priorize sempre exemplares com histórico verificável e restauração alinhada à preservação.



