O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades ambientais em uma propriedade rural localizada no coração do Pantanal, em Corumbá. A investigação, conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça da comarca, tem como objetivo verificar a ocorrência de desmatamento ilegal e supressão de vegetação nativa sem a devida autorização dos órgãos ambientais competentes. A ação foi motivada por relatórios técnicos e autos de infração que apontam intervenções diretas no bioma, colocando em risco a biodiversidade local e a estabilidade de um dos ecossistemas mais sensíveis e importantes do planeta.
A fiscalização, que contou com o suporte de imagens de satélite e vistorias de campo realizadas por órgãos como o Ibama e o Imasul, identificou áreas onde a cobertura vegetal original foi removida para dar lugar à pastagem e à criação de gado. Em alguns casos, as multas aplicadas já somam valores expressivos, refletindo a gravidade dos danos causados à flora pantaneira. O MPMS agora busca dimensionar a extensão total do dano e identificar os responsáveis diretos, reafirmando que a exploração econômica da região deve, obrigatoriamente, seguir as normas de proteção ambiental vigentes para garantir que o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul ocorra de forma verdadeiramente sustentável e dentro da legalidade.
Monitoramento por satélite e rigor na fiscalização
A utilização de tecnologia de ponta tem sido um diferencial na detecção de crimes ambientais em áreas remotas do Pantanal. A precisão das imagens permite ao MPMS agir com rapidez e fundamentação técnica em processos de investigação.
Identificação de supressão vegetal sem licença
A apuração atual baseia-se em laudos que demonstram a ausência de autorização ambiental para o corte de vegetação nativa em áreas que deveriam ser preservadas. Durante as inspeções, equipes técnicas constataram que a limpeza de pastagens e o desmatamento a corte raso foram realizados sem os estudos de impacto necessários, o que fere diretamente a Lei de Crimes Ambientais. O promotor de Justiça responsável determinou o cruzamento de dados com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a matrícula do imóvel para verificar se as áreas afetadas coincidem com reservas legais ou áreas de preservação permanente (APP). Esse rigor busca assegurar que nenhum dano ao patrimônio natural sul-mato-grossense fique sem a devida reparação jurídica ou administrativa.
Responsabilização e medidas de reparação ambiental
O inquérito civil não visa apenas punir os infratores, mas garantir que as áreas degradadas sejam efetivamente recuperadas. O MPMS pode propor acordos de conduta ou levar o caso ao Poder Judiciário.
Inquéritos policiais e aplicação de multas
Além das sanções administrativas, como as multas aplicadas pelo Imasul e Ibama — que em episódios recentes ultrapassaram a marca de R$ 2 milhões por propriedade —, o Ministério Público requisitou a abertura de inquéritos policiais para apurar a responsabilidade criminal dos envolvidos. A legislação prevê que a destruição de florestas protegidas pode resultar em penas de detenção, além da obrigação de ressarcir os prejuízos causados ao meio ambiente. Para a instituição, o combate ao desmatamento ilegal é uma prioridade estratégica, visando desencorajar práticas predatórias e promover um ambiente de negócios onde o respeito às leis ambientais seja um valor inegociável para todos os produtores rurais do estado.
Proteção do Pantanal como ativo do estado
A investigação do MPMS em Corumbá reforça a mensagem de que Mato Grosso do Sul é um estado comprometido com a governança ambiental séria. A preservação do Pantanal é vista hoje como um ativo econômico e social indispensável. Com o avanço das tecnologias de monitoramento e a integração entre as forças de fiscalização federais e estaduais, a impunidade em crimes ambientais torna-se cada vez mais difícil. A atuação proativa do Ministério Público garante que o bioma continue prestando seus serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima e o ciclo das águas, beneficiando não apenas a fauna e a flora, mas toda a sociedade que depende de um ambiente equilibrado para prosperar.
Perguntas frequentes
Como o desmatamento ilegal foi detectado na fazenda em Corumbá?
A detecção ocorreu por meio de monitoramento por imagens de satélite e fiscalização in loco realizada pelo Ibama e pelo Imasul, que confirmaram a supressão vegetal sem autorização.
Quais as consequências para o proprietário da fazenda investigada?
O responsável pode enfrentar multas administrativas elevadas, ser obrigado a recuperar a área degradada por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e responder criminalmente na justiça.
O que o MPMS faz para prevenir o desmatamento ilegal?
O Ministério Público atua na fiscalização contínua, instaura inquéritos civis a partir de denúncias ou órgãos de controle e promove ações educativas para o cumprimento da legislação ambiental.
Mantenha-se informado sobre as ações de proteção ao nosso Pantanal e ajude a combater crimes ambientais. Se você presenciar desmatamentos ou queimadas irregulares, denuncie aos órgãos competentes ou através do portal de atendimento ao cidadão do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Redação Portal Guavira


