A reconstrução da vida após episódios de violência doméstica e familiar vai muito além do acolhimento psicológico e jurídico. O Projeto Recomeçar, iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher, oferece procedimentos médicos reparatórios gratuitos a mulheres, crianças e adolescentes que carregam marcas físicas de agressões. Sob a coordenação da desembargadora Jaceguara Dantas e em parceria com a Fundação Instituto para Desenvolvimento do Ensino e Ação Humanitária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (IDEAH/SBCP), o programa representa uma oportunidade de renascimento para quem teve sua integridade física e emocional violada. Desde seu lançamento em 2023, o projeto tem garantido dignidade e esperança por meio de cirurgias ortopédicas e plásticas reparadoras, com continuidade assegurada pela gestão do presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan.
Atendimento integral e suporte multidisciplinar
O Projeto Recomeçar não se limita à execução de procedimentos cirúrgicos. A iniciativa envolve uma estrutura de atendimento completa, que começa com a identificação das vítimas, passa por avaliação técnica médica e inclui acompanhamento psicológico durante todo o processo. Esse cuidado integrado garante que as mulheres não sejam apenas tratadas fisicamente, mas também emocionalmente preparadas para cada etapa da recuperação.
Avaliação técnica e seleção das pacientes
Desde a implementação do projeto, 50 mulheres foram contatadas pela Coordenadoria Estadual da Mulher. Algumas optaram por não participar, respeitando-se a autonomia de cada vítima. Das que aceitaram, 14 foram avaliadas por médicos voluntários especializados em cirurgia plástica reparadora e ortopedia. A análise técnica considerou não apenas a viabilidade cirúrgica, mas também o estado emocional e as expectativas das pacientes, garantindo que o procedimento trouxesse benefícios reais e duradouros. Ao final do processo seletivo, quatro mulheres foram submetidas a cirurgias plásticas, incluindo correção de cicatrizes, implantes e transplante de couro cabeludo, além de uma paciente que realizou cirurgia ortopédica para corrigir sequelas de violência física.
Parcerias institucionais fortalecem o projeto
A viabilização do Projeto Recomeçar em 2025 foi possível graças à colaboração de diversos municípios e órgãos estaduais. Campo Grande, Jardim, Maracaju, Mundo Novo e Dois Irmãos do Buriti ofereceram suporte logístico essencial, auxiliando na realização de exames pré-cirúrgicos e no deslocamento das pacientes. Essa capilaridade municipal permite que o projeto alcance mulheres em diferentes regiões do estado, ampliando o impacto da iniciativa.
O papel da Secretaria de Estado de Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) desempenhou um papel fundamental ao disponibilizar estrutura hospitalar e materiais necessários para a realização dos procedimentos. Essa parceria entre o Poder Judiciário e a área da saúde evidencia a importância de ações intersetoriais para enfrentar problemas complexos como a violência doméstica. Ao integrar recursos e competências, o Estado de Mato Grosso do Sul demonstra compromisso concreto com a proteção e recuperação de vítimas, transformando a rede de atendimento em um instrumento efetivo de cidadania.
Resultados e perspectivas para 2026
Os resultados obtidos até o momento reforçam a relevância do Projeto Recomeçar como política pública de atendimento às vítimas de violência. As cinco cirurgias realizadas representam não apenas a correção de danos físicos, mas a restauração da autoestima e a possibilidade de reconstrução de vida para mulheres que carregavam as marcas de traumas profundos.
Ampliação do atendimento no primeiro semestre
Para 2026, está prevista uma segunda etapa do projeto, com a realização de procedimentos em mais seis pacientes no primeiro semestre. Essa continuidade demonstra o compromisso institucional do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul com a causa e a efetividade da parceria com a IDEAH/SBCP. A ampliação progressiva do programa reforça a perspectiva de que, a médio prazo, mais mulheres possam ser beneficiadas, consolidando o Recomeçar como uma referência nacional de atendimento humanizado e integral a vítimas de violência doméstica.
Conclusão
O Projeto Recomeçar vai além da reparação física: representa um marco no acolhimento integral de vítimas de violência doméstica e familiar em Mato Grosso do Sul. Ao unir o Poder Judiciário, a área da saúde, municípios e profissionais voluntários, a iniciativa coordenada pela desembargadora Jaceguara Dantas oferece dignidade, esperança e a possibilidade real de reconstrução de vida. Com a continuidade garantida e a previsão de ampliação para 2026, o projeto consolida-se como uma política pública essencial, que reconhece a complexidade do enfrentamento à violência e responde com ações concretas, humanizadas e transformadoras.
Perguntas frequentes
Quem pode ser beneficiada pelo Projeto Recomeçar?
Mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar que possuam sequelas físicas passíveis de correção por meio de cirurgias plásticas reparadoras ou ortopédicas.
Como funciona o processo de seleção das pacientes?
As vítimas são contatadas pela Coordenadoria Estadual da Mulher, passam por avaliação médica e psicológica, e aquelas que apresentam viabilidade técnica e emocional são selecionadas para os procedimentos.
Quantas cirurgias foram realizadas até agora?
Até o momento, cinco procedimentos foram realizados, sendo quatro cirurgias plásticas reparadoras e uma cirurgia ortopédica, com previsão de mais seis procedimentos no primeiro semestre de 2026.
Se você conhece alguém que possa se beneficiar do Projeto Recomeçar, entre em contato com a Coordenadoria Estadual da Mulher do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para obter mais informações sobre o programa e os critérios de participação.


