A Ceasa de Mato Grosso do Sul é hoje uma das principais portas de entrada da produção de agricultores familiares no mercado atacadista de hortifrutigranjeiros do estado. Com fluxo diário intenso, iniciando por volta das 4h da manhã, o entreposto reúne comerciantes, representantes de grandes redes e consumidores finais em busca de frutas, verduras, legumes e ovos com qualidade e preço competitivo. Para o produtor rural, especialmente o pequeno e médio agricultor, entender como vender na Ceasa de forma regular, documentada e organizada é um passo decisivo para ampliar a renda, diversificar canais de comercialização e dar maior segurança ao escoamento da produção. O processo exige planejamento, credenciamento e conhecimento das regras de operação do Centro de Comercialização da Agricultura Familiar, o Cecaf, espaço dedicado à agricultura familiar dentro da estrutura da Ceasa.
Caminho do agricultor até o Cecaf
O primeiro passo para quem deseja ingressar na Ceasa como vendedor é procurar o escritório da Agraer em seu município. A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural é acionista majoritária da Ceasa-MS e está presente nos 79 municípios sul-mato-grossenses, oferecendo assistência técnica e orientação específica para cada tipo de cultivo. É a equipe da Agraer que analisa o enquadramento do produtor como agricultor familiar e faz o credenciamento necessário para que ele possa acessar as políticas voltadas a esse público.
Credenciamento e cadastro na Ceasa-MS
Após ser devidamente reconhecido como agricultor familiar pela Agraer, o produtor é encaminhado para o cadastro junto à administração da Ceasa-MS. Nesse momento, ele é autorizado a comercializar sua produção nas “pedras” do Cecaf, nome dado às áreas reservadas à venda de produtos no pavilhão dedicado à agricultura familiar. Para formalizar cada entrada de carga, o produtor passa a retirar o romaneio – documento que substitui a nota fiscal dentro do Cecaf e representa o único custo direto cobrado pela Ceasa do agricultor. Cada romaneio custa R$ 5 e corresponde a uma carga de produtos levada ao entreposto. A apresentação desse documento é obrigatória para entrada e venda no Centro de Comercialização da Agricultura Familiar, conforme reforça a direção de Abastecimento e Mercado.
Modalidades de venda e responsabilidades do produtor
Além da venda direta nas pedras do Cecaf, o agricultor tem a opção de negociar sua mercadoria diretamente com empresas atacadistas e compradores instalados na Ceasa-MS. Nessa modalidade, o produtor não precisa se fixar no Cecaf, mas deve apresentar o romaneio ou a nota fiscal correspondente à carga comercializada, garantindo a procedência formal de tudo o que entra no entreposto. Em qualquer dos modelos escolhidos, a Ceasa não intermedia o negócio: a negociação de preço, volume, prazos e condições de entrega é de responsabilidade exclusiva do produtor e do comprador.
Competências comerciais e dinâmica do mercado
Com fluxo intenso e diário, a Ceasa exige do produtor não apenas qualidade agrícola, mas também competências comerciais. Para vender bem, é necessário saber negociar, praticar preços adequados, conhecer os horários de maior movimento e avaliar a capacidade de atender às exigências de volume e regularidade do mercado. A diretriz institucional é clara: da porteira para fora, o agricultor também é comerciante, e essa mudança de mentalidade é fundamental para transformar produção em renda sustentável.
Crescimento da participação sul-mato-grossense
Os dados recentes evidenciam o fortalecimento da agricultura familiar de Mato Grosso do Sul na Ceasa. Entre janeiro e setembro de 2025, o estado ocupou o segundo lugar no ranking dos maiores fornecedores de hortifrutigranjeiros ao entreposto, com aproximadamente 25 mil toneladas comercializadas no período. Esse volume representa um incremento de 8,93% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, indicando maior organização da produção e consolidação de canais de venda. Entre os destaques estão produtos como mandioca (4,3 mil toneladas), laranja (4,2 mil toneladas) e ovos (3,6 mil toneladas), que lideraram a lista de itens sul-mato-grossenses mais vendidos nas centrais.
Os números reforçam o papel da Ceasa-MS como aliada estratégica da agricultura familiar, conectando a produção do interior aos principais centros consumidores. Ao utilizar os serviços da Agraer e seguir os procedimentos de credenciamento e documentação, o agricultor amplia seu alcance comercial e contribui para o abastecimento regular de alimentos no estado.
Perguntas frequentes
Preciso ser agricultor familiar para vender no Cecaf da Ceasa-MS?
Sim. O Cecaf é voltado à agricultura familiar. O enquadramento é feito pela Agraer, que analisa a situação do produtor e emite o credenciamento necessário antes do cadastro na Ceasa.
O que é o romaneio e quanto ele custa?
O romaneio é o documento que substitui a nota fiscal dentro do Cecaf e permite a entrada e venda da carga. Cada romaneio custa R$ 5 e corresponde a uma carga de produtos.
Posso vender para empresas da Ceasa sem ocupar uma pedra no Cecaf?
Pode. O produtor pode negociar diretamente com empresas instaladas na Ceasa, desde que apresente romaneio ou nota fiscal da mercadoria, garantindo a procedência formal dos produtos.
Se você é produtor rural em Mato Grosso do Sul e quer dar o próximo passo na comercialização, procure o escritório da Agraer em seu município, informe-se sobre o credenciamento como agricultor familiar e planeje sua entrada na Ceasa-MS para transformar sua produção em mais renda e oportunidades.
Redação Portal Guavira


