O que começou em uma sala de aula da rede municipal de Campo Grande, há cerca de 30 anos, chegou à COP15 com um projeto selecionado para compor a programação de um dos maiores eventos ambientais do mundo. A professora e pesquisadora Simone Mamede, hoje referência nacional em educação ambiental e observação de aves, traz para a conferência da ONU o projeto “Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas”, desenvolvido na Universidade Federal do Tocantins. A iniciativa conecta ciência cidadã, educação e conservação de espécies migratórias num formato que coloca qualquer pessoa, sem experiência prévia, em contato direto com a biodiversidade.
Uma trajetória que começou nas escolas de Campo Grande
Simone Mamede não chegou à COP15 por acaso. A pesquisadora construiu sua trajetória de forma consistente, tijolo por tijolo, começando pela própria formação como estudante de Ciências Biológicas e passando pelos anos em que lecionou na Escola Municipal Professora Maria Tereza Rodrigues, no bairro Santa Emília. Essa experiência na rede pública de Campo Grande ajudou a moldar sua forma de ver a educação e a consolidar um compromisso que carrega até hoje: tornar a ciência acessível a qualquer pessoa.
Hoje professora da Universidade Federal do Tocantins e vinculada à pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Simone se tornou uma das principais vozes brasileiras na interseção entre educação ambiental e conservação da fauna. Sua relação com Campo Grande vai além das raízes. Ao longo dos anos, ela desenvolveu estudos sobre biodiversidade urbana que contribuíram para projetar a cidade como referência nacional na observação de aves, reconhecendo o papel das áreas verdes no equilíbrio ambiental e na qualidade de vida dos moradores.
O que é o “Passarinhar” e como ele funciona
O projeto que chegou à COP15 tem um nome simples e uma proposta direta: transformar a observação de aves em uma experiência educativa acessível. As chamadas “passarinhadas” são atividades abertas de observação guiada, que convidam os participantes a prestar atenção no ambiente ao redor e nas espécies que nele habitam, incluindo as migratórias, que cruzam continentes e dependem de diferentes territórios para sobreviver.
O que torna o projeto especialmente interessante é a sua abrangência temática. A iniciativa não se limita à Biologia. Ela integra áreas como Geografia, Direito, Turismo e Educação, conectando universidades, pesquisadores e comunidades em diferentes estados do país. É um modelo que reconhece que a conservação ambiental não é assunto de uma única disciplina nem de um único grupo.
A COP15 como palco e como símbolo
Para Simone Mamede, participar da COP15 em Campo Grande tem um significado que vai além do profissional. A pesquisadora cresceu em Mato Grosso do Sul, construiu parte da sua carreira na capital e acompanhou a cidade se tornar referência nacional na observação de aves. Estar na COP15 justamente aqui, apresentando um projeto que nasceu de uma trajetória que começou nas escolas públicas desta cidade, é um capítulo com peso simbólico difícil de ignorar.
O projeto foi selecionado para compor a programação do Espaço Brasil, na Blue Zone do evento, que concentra as atividades institucionais da conferência e recebe delegações de mais de 130 países. Estar nesse espaço coloca o trabalho de Simone num palco global, ao lado de iniciativas de todo o mundo voltadas à preservação da biodiversidade.
As passarinhadas abertas ao público durante a COP15
Além da apresentação no Espaço Brasil, o público de Campo Grande pode participar diretamente das atividades do projeto durante a COP15. Duas passarinhadas abertas estão programadas para os dias 24 e 27 de março, organizadas pela UFT, UFMS e Instituto Mamede por meio do projeto “Vem Passarinhar”.
As atividades são gratuitas e têm como objetivo aproximar a população das espécies migratórias e promover a educação ambiental na prática. Para a passarinhada do dia 24, as inscrições serão disponibilizadas por link divulgado pelos organizadores. A programação do dia 27 será comunicada posteriormente. São atividades pensadas para quem nunca parou para observar um pássaro com atenção, e também para quem já faz isso com regularidade.
Por que Campo Grande é o cenário perfeito para esse debate
Não é coincidência que um projeto centrado na observação de aves esteja sendo apresentado em Campo Grande. A capital de Mato Grosso do Sul reúne cerca de 400 espécies de aves, das quais aproximadamente 20% são migratórias. Isso representa cerca de 80 espécies que passam pela cidade ao longo do ano, usando as áreas verdes urbanas como parada em rotas que cruzam o continente.
Essa biodiversidade dentro de uma capital é rara. E o trabalho de pesquisadoras como Simone Mamede ao longo de décadas ajudou a mapear e divulgar esse patrimônio natural, contribuindo para que Campo Grande construísse uma identidade ligada à conservação ambiental urbana. A cidade foi reconhecida sete vezes com o título de Tree Cities of the World, distinção que reflete exatamente esse compromisso contínuo com a arborização e a preservação da fauna.
O que a trajetória de Simone Mamede representa para a educação pública
Há um aspecto da história que vai além da ciência e da conservação ambiental. Uma pesquisadora que começou sua carreira numa escola municipal da periferia de Campo Grande, e que chega à COP15 com um projeto selecionado para um dos principais espaços do evento, representa algo concreto para quem trabalha e estuda na rede pública.
Não é uma trajetória linear nem simples. É o resultado de décadas de trabalho consistente, de escolhas que priorizaram a educação como ferramenta de transformação e de uma convicção de que a ciência precisa chegar às pessoas comuns para ter sentido real. As passarinhadas são exatamente isso: ciência saindo do laboratório e chegando ao parque, ao quintal, à praça.
Perguntas frequentes
O que é o projeto “Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas”? É um projeto de extensão coordenado pela professora Simone Mamede na Universidade Federal do Tocantins, que conecta educação ambiental, ciência cidadã e observação de aves. A iniciativa foi selecionada para compor a programação do Espaço Brasil na Blue Zone da COP15.
O que são as “passarinhadas” e como participar? São atividades abertas de observação de aves, guiadas por especialistas, que acontecem em ambientes ao ar livre. Durante a COP15, duas passarinhadas estão programadas para os dias 24 e 27 de março em Campo Grande. As inscrições para o dia 24 serão divulgadas pelos organizadores (UFT, UFMS e Instituto Mamede) por meio de link específico.
Precisa ter experiência para participar das passarinhadas? Não. As atividades são pensadas para qualquer pessoa, independente de conhecimento prévio. A proposta é justamente aproximar quem nunca parou para observar as aves ao redor, tornando a experiência educativa e acessível.
Quem é Simone Mamede? Pesquisadora e professora sul-mato-grossense, referência nacional em educação ambiental e observação de aves. Atua na Universidade Federal do Tocantins e na pós-graduação da UFMS. Iniciou a carreira lecionando na rede municipal de Campo Grande e desenvolveu estudos sobre biodiversidade urbana que ajudaram a consolidar a cidade como referência nacional na observação de aves.
Fique de olho nas redes sociais da UFT, UFMS e Instituto Mamede para garantir sua vaga nas passarinhadas durante a COP15 em Campo Grande. Compartilhe esta matéria e leve alguém que nunca parou para observar as aves da cidade onde vive.




