
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma possível relação entre o consumo frequente de adoçantes artificiais e prejuízos à memória e às funções cognitivas. A conclusão faz parte de uma análise com mais de 12 mil participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), um dos maiores acompanhamentos populacionais sobre saúde já realizados no país.
Segundo os cientistas, indivíduos que relataram o uso regular e em grandes quantidades de adoçantes apresentaram desempenho inferior em testes que medem memória e capacidade cognitiva. O efeito foi mais evidente em pessoas entre 35 e 60 anos e em pacientes diagnosticados com diabetes, grupo no qual o consumo desse tipo de produto é frequentemente incentivado como alternativa ao açúcar.
Embora pesquisas anteriores tenham apontado efeitos metabólicos e cardiovasculares associados aos adoçantes, este é o primeiro trabalho conduzido no Brasil a dimensionar de forma sistemática o impacto potencial dessas substâncias no funcionamento do cérebro. De acordo com a equipe envolvida, os dados abrem um campo inédito de investigação sobre como adoçantes artificiais podem afetar a saúde neurológica ao longo do tempo.
Os pesquisadores destacam, no entanto, que os resultados devem ser interpretados com cautela. Por se tratar de um estudo observacional, não há comprovação de causa e efeito entre o consumo de adoçantes e a perda de memória. “É um alerta importante, mas ainda precisamos de ensaios clínicos internacionais para confirmar essa relação e entender os mecanismos envolvidos”, afirma o grupo.
A possível associação reforça a necessidade de orientar a população sobre moderação no uso de adoçantes, principalmente em faixas etárias mais jovens, onde os impactos cognitivos podem comprometer a qualidade de vida e a produtividade futura. Profissionais de saúde também avaliam que a descoberta poderá influenciar diretrizes nutricionais e estratégias de prevenção de doenças crônicas nos próximos anos.
O estudo do ELSA-Brasil será submetido a revistas científicas internacionais, e a expectativa é que novas colaborações ampliem a compreensão sobre os efeitos neurológicos do consumo de adoçantes artificiais.
Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/adocantes-artificiais-sao-associados-ao-declinio-cognitivo-acelerado/
Fonte: https://www.neurology.org/doi/10.1212/WNL.0000000000214023