22°C 35°C
Campo Grande, MS

Feiras livres movimentam bairros e geram renda para a Capital

Quem passa por uma feira livre de Campo Grande encontra muito mais do que bancas de frutas, verduras e alimentos frescos. Entre o vai e vem dos con...

08/08/2026 às 14h01
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Campo Grande - MS
Compartilhe:
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

Quem passa por uma feira livre de Campo Grande encontra muito mais do que bancas de frutas, verduras e alimentos frescos. Entre o vai e vem dos consumidores, o cheiro do pastel, as conversas entre feirantes e clientes e os produtos cultivados por agricultores da região, esses espaços mantêm viva uma tradição que atravessa gerações e movimenta a economia da Capital.

Além de abastecer os bairros com alimentos frescos e produtos regionais, as feiras livres são fonte de renda para milhares de famílias e representam uma importante porta de entrada para pequenos empreendedores e produtores da agricultura familiar.

Hoje, Campo Grande conta com 1.004 feirantes cadastrados. A estimativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) é que cerca de 2.500 pessoas trabalhem direta ou indiretamente na atividade, incluindo produtores rurais, familiares, auxiliares, transportadores e fornecedores.

“A feira é um lugar onde a economia acontece de forma muito próxima das pessoas. Quem compra conhece quem produz, fortalece o comércio local e ajuda a manter centenas de pequenos negócios funcionando”, explica o secretário da Semades Ademar Silva Junior.

Muito além da compra

Para muitos consumidores, a feira faz parte da rotina semanal. É o lugar para escolher frutas e verduras frescas, encontrar produtos artesanais e aproveitar a convivência entre vizinhos. Já para os feirantes, cada banca representa o sustento da família e, muitas vezes, um trabalho que atravessa gerações.

É o caso de Wilson Gonçalves, que há mais de 40 anos trabalha como feirante. Morador da zona rural de Campo Grande, ele produz as pokan que comercializa nas feiras da Capital. Ao longo de quatro décadas, construiu sua trajetória tendo a atividade como principal fonte de trabalho e renda.

Para Wilson, a feira continua sendo um serviço essencial para a população, embora ele perceba uma mudança nos hábitos de consumo.

“Eu sou muito grato à feira por tudo o que conquistei na minha vida. Foram mais de 40 anos trabalhando aqui e tirando o sustento da minha família. A feira é um serviço essencial, porque leva alimento fresco para as pessoas, mas hoje a gente sente que muitos estão deixando a feira de lado para comprar no mercado. É importante valorizar esse espaço, porque por trás de cada banca existe uma família”, afirma.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

A relação próxima entre quem vende e quem compra também é um dos diferenciais apontados por quem trabalha nas feiras.

Aparecido Moraes, de 65 anos, é feirante há mais de 30 anos e comercializa temperos e ervas medicinais, muitos deles produzidos por ele próprio. Entre os produtos está o colorau, tempero culinário preparado de forma artesanal, depois de horas de trabalho e de ser socado no pilão.

Ao longo dos anos, Aparecido também conquistou clientes que passaram a frequentar sua banca regularmente e mantêm uma relação de confiança com o feirante.

“Tem cliente que vem uma vez, gosta e depois não deixa mais de comprar. Muitos até tentam comprar no mercado, mas depois percebem a diferença, principalmente porque procuram um produto mais natural. A feira tem essa coisa boa de aproximar as pessoas. A gente conhece o cliente, conversa, sabe o que ele procura e acaba criando uma amizade. Isso é algo que o mercado não oferece da mesma forma”, conta.

Além do impacto econômico, as feiras fortalecem a agricultura familiar ao aproximar produtores e consumidores, reduzindo a intermediação na venda dos alimentos e incentivando a produção regional.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Renda que atravessa gerações

Para quem cresceu dentro das feiras, a atividade também representa continuidade e tradição familiar. Yutaca Kudo, de 56 anos, é feirante desde pequeno e acompanhou de perto as transformações desse comércio ao longo dos anos.

A feira é hoje sua principal fonte de renda, mas, segundo ele, a atividade também exige adaptação e disposição para lidar com dias de maior e menor movimento.

“A feira é uma surpresa. Tem dia que a gente vende muito bem, sai daqui satisfeito, mas também tem dia que o movimento é mais fraco e quase não vende. Mesmo assim, é daqui que vem a minha principal renda. A gente aprende a lidar com cada dia e continua trabalhando, porque a feira faz parte da nossa vida”, relata.

Do outro lado das bancas, consumidores também mantêm hábitos construídos ao longo dos anos. A busca por produtos frescos é um dos principais motivos que levam moradores a percorrer distâncias para fazer as compras.

Aos 84 anos, o aposentado André da Silva pedala cerca de 30 minutos todas as quintas-feiras até a Feira do Coophavilla. O percurso faz parte da rotina para garantir frutas, verduras e outros produtos que considera mais frescos.

“Às vezes eu até penso em comprar no mercado, porque é mais perto, mas quando chego na feira vejo que as coisas são mais frescas e têm mais gosto. Eu vejo os feirantes descascando o milho na hora. No mercado, muitas vezes o produto fica ali por semanas. Então prefiro pedalar um pouco mais e comprar na feira”, conta.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Economia que movimenta os bairros

Mais do que pontos de comercialização, as feiras livres movimentam uma ampla cadeia produtiva. A atividade envolve produtores rurais, transportadores, fornecedores de insumos, fabricantes de equipamentos, comerciantes e prestadores de serviço, gerando emprego e circulação de renda em diferentes regiões da cidade.

A maior delas é a Feira das Moreninhas, que reúne aproximadamente 460 feirantes e se consolidou como uma das principais referências do comércio popular e do abastecimento alimentar em Campo Grande.

Segundo a Semades, fortalecer as feiras livres também significa incentivar o empreendedorismo, valorizar a produção regional e contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável da Capital.

Quer saber onde e quando acontece a feira mais próxima de você?

A relação completa das feiras livres de Campo Grande, com endereços, dias e horários de funcionamento, está disponível no Perfil Socioeconômico de Campo Grande – Edição 2025. Clique aqui para consultar a lista completa.

Organização e funcionamento

As feiras livres são regulamentadas pela Lei Complementar nº 223, de 8 de janeiro de 2014, que estabelece as regras para organização, funcionamento, licenciamento e fiscalização da atividade.

A Semades também realiza um processo contínuo de recadastramento dos feirantes e de remarcação dos espaços, medida que busca atualizar os cadastros, reorganizar a ocupação das áreas públicas e oferecer melhores condições de trabalho aos permissionários e de atendimento à população.

Quem deseja atuar como feirante deve protocolar presencialmente o pedido de vaga na Central de Atendimento ao Cidadão (CAC). A solicitação é analisada pela Semades, conforme a disponibilidade de espaços e os critérios previstos na legislação municipal.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários