

Mato Grosso do Sul avançou na execução de recursos do Funpen para fortalecer o sistema prisional, com foco em aquisições, serviços continuados e obras estruturais. A palavra-chave Funpen se destaca porque o fundo federal financia ações essenciais para melhorar segurança, logística e assistência dentro das unidades penais, desde que cumpridas exigências legais e técnicas. Levantamento da Agepen, com base nos repasses “fundo a fundo” realizados entre 2016 e 2025, aponta que, dos R$ 33,5 milhões previstos para compras e custeio continuado, R$ 23,7 milhões já foram utilizados, alcançando cerca de 71% de aplicação. O desempenho é sustentado por percentuais elevados em diversos anos e por uma carteira de obras conduzida pela Agesul, com projetos em diferentes fases.
A aplicação de aproximadamente 71% dos recursos destinados a compras e serviços continuados evidencia capacidade de transformar repasses em entregas práticas, com impacto direto no funcionamento cotidiano das unidades. Nesse recorte, o Estado utilizou R$ 23,7 milhões de um total previsto de R$ 33,5 milhões, dentro do período analisado entre 2016 e 2025. O histórico anual também indica constância: em 2016, por exemplo, 74,3% das verbas de custeio foram aplicadas; em 2017, o percentual chegou a 90,9%; e, em 2019 e 2020, manteve-se elevado, com 69,4% e 72,1%, respectivamente.
Esses números são relevantes porque custeio bem executado costuma aparecer na ponta: viaturas, equipamentos, suprimentos operacionais e itens voltados à assistência e à ressocialização da população carcerária. Ao priorizar aquisições e serviços de natureza continuada, o Estado dá sustentação a rotinas básicas de segurança, transporte, manutenção e atendimento, reduzindo improvisos e aumentando previsibilidade operacional.
No cotidiano do sistema prisional, melhorias “não visíveis” costumam ser decisivas. Investimentos em logística, transporte e equipamentos reforçam protocolos de segurança, ampliam capacidade de resposta e ajudam a padronizar procedimentos entre unidades. Também contribuem para qualificar as condições de trabalho das equipes e organizar fluxos internos, reduzindo vulnerabilidades que podem gerar incidentes.
Outro ponto crítico é a aderência a regras de execução. A aplicação do Funpen segue exigências legais e técnicas que envolvem planejamento, desenvolvimento de projetos, procedimentos licitatórios e acompanhamento físico-financeiro, o que reforça governança e controle. Quando esse processo é bem conduzido, o recurso federal deixa de ser apenas previsão orçamentária e passa a se tornar melhorias concretas na estrutura e na operação.
No panorama geral de repasses, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 103,2 milhões no período analisado, com R$ 36,6 milhões empregados, resultando em 35% de aplicação global. Uma parte expressiva desse total — cerca de R$ 69,7 milhões — foi direcionada a construções e projetos estruturais, área que tem dinâmica própria, com 18% do valor já utilizado até aqui.
É importante contextualizar essa diferença entre custeio e obras. Intervenções de construção e reforma demandam etapas mais longas e sequenciais: elaboração técnica, projetos executivos, licitações, ordem de serviço, execução física e medições. Além disso, o ciclo de obra pública exige fiscalização, conformidade e compatibilização com a operação das unidades, o que naturalmente amplia prazos — sem que isso signifique ausência de trabalho, mas sim andamento em fases distintas.
As intervenções estruturais são conduzidas pela Agesul, responsável por obras públicas em diferentes setores do Governo do Estado. Nesse conjunto, um dos destaques é a ampliação da Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti, com mais de 70% do cronograma concluído. A modernização amplia a capacidade da unidade de 208 para 394 vagas, com a criação de 186 novos espaços de custódia.
Esse tipo de obra tem efeitos diretos na gestão: melhora o aproveitamento de espaços, fortalece condições de controle e adequa instalações às necessidades contemporâneas de segurança e operação. Ao mesmo tempo, sinaliza planejamento de médio prazo, porque amplia capacidade com base em um cronograma físico-financeiro que precisa ser acompanhado até a entrega final.
O balanço de execução indica dois movimentos complementares: forte aplicação em compras e serviços continuados (cerca de 71% do previsto para custeio) e avanço progressivo em obras estruturais, que seguem um ritmo condicionado por etapas técnicas e licitatórias. No agregado, a execução global de 35% sobre R$ 103,2 milhões recebidos mostra que parte relevante do recurso está comprometida com infraestrutura — especialmente porque construções e reformas, por natureza, têm prazos e marcos de entrega mais longos.
A perspectiva é de evolução gradual dos indicadores conforme as frentes estruturais avancem, ampliando impactos no sistema prisional e, por consequência, na segurança pública estadual. O ponto central é que planejamento, responsabilidade fiscal e foco em resultados são determinantes para transformar repasse em melhoria contínua, com governança e transparência.
O que é o Funpen?
O Funpen é um fundo federal destinado ao financiamento de ações e melhorias no sistema prisional, com regras específicas para repasse e execução.
O que significa repasse “fundo a fundo”?
É uma modalidade de transferência de recursos diretamente entre fundos (da União para entes subnacionais), com critérios e acompanhamento próprios.
Quanto foi aplicado em custeio e compras no período analisado?
Segundo o levantamento citado na pauta, dos R$ 33,5 milhões previstos para compras e serviços continuados, R$ 23,7 milhões foram utilizados, cerca de 71%.
Por que obras têm execução menor do que custeio?
Porque obras exigem fases técnicas e administrativas (projeto, licitação, execução e medições), o que amplia prazos e faz a aplicação financeira ocorrer de forma escalonada.
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